Voltar ao Início
Zona de Comércio Livre Africana precisa de corredores para funcionar. "Sem logística, o acordo é simplesmente papel"

Zona de Comércio Livre Africana precisa de corredores para funcionar. "Sem logística, o acordo é simplesmente papel"

A implementação efectiva da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) depende da existência de corredores logísticos funcionais e integrados. A posição foi defendida por Pedro Neto, CEO da Eaglestone, durante o II Fórum Logística do Expansão, onde alertou que, sem uma rede logística eficiente, o acordo comercial africano corre o risco de se manter apenas no plano das intenções. "A AfCFTA precisa de corredores para funcionar. Sem logística, o acordo é papel", afirmou o responsável, sublinhando que a integração económica do continente exige mais do que compromissos políticos, exigindo infra-estruturas operacionais e conectividade efectiva entre mercados. Na sua intervenção, Pedro Neto destacou que o continente africano atravessa uma janela de oportunidade favorável, impulsionada pela disponibilidade de capital global, maior vontade política e acesso crescente a soluções tecnológicas aplicadas à logística. No entanto, alertou que África continua a enfrentar um défice estrutural significativo neste domínio, estimando que o continente perde anualmente cerca de 200 mil milhões USD devido a ineficiências no sistema logístico, um dos principais entraves à competitividade e à integração dos mercados regionais. Apesar dos constrangimentos, o CEO da Eaglestone considerou que o desenvolvimento de corredores transfronteiriços representa uma das maiores oportunidades de transformação económica do continente, destacando o Corredor do Lobito como um dos projectos mais promissores. Para o responsável, a infraestrutura logística deve ser encarada como um investimento de elevado impacto económico. "A infraestrutura logística não é um custo - é o investimento com maior multiplicador económico disponível em África", afirmou. Pedro Neto defendeu ainda a adopção de soluções de logística digital como factor-chave de modernização do sector, destacando plataformas digitais de frete, portos inteligentes, armazéns automatizados com IoT e sistemas de gestão ferroviária digital como instrumentos essenciais para aumentar a eficiência. Na sua visão, estes elementos permitirão acelerar a integração económica do continente e maximizar o potencial dos corredores logísticos como motores de crescimento. "A África que queremos começa com os corredores que construímos hoje", concluiu.

Gostou deste artigo?

Partilhe com os seus amigos ou explore mais funcionalidades do Falanga.

Descarregar App Falanga