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Taxas Cambiais: BNA Modera Desvalorização, Kinguila Mantém Pressão

Taxas Cambiais: BNA Modera Desvalorização, Kinguila Mantém Pressão

As taxas de câmbio de referência publicadas hoje pelo Banco Nacional de Angola (BNA) indicam uma ligeira contenção na depreciação do Kwanza face às principais divisas. O dólar americano (USD) e o Euro (EUR) foram fixados em 912,13 AOA e 1077,05 AOA, respectivamente, representando uma diminuição marginal face aos valores precedentes, na ordem dos 0,02% e 0,03%. Esta intervenção moderadora por parte da Autoridade Monetária sugere uma tentativa de estabilização do mercado cambial, ainda que ligeira. Analisando a cesta de moedas, observa-se uma predominância de desvalorizações do Kwanza face à maior parte das divisas cotadas, com exceção notável do Naira nigeriano (NGN) que apresenta uma valorização mais expressiva (0,79%). A libra esterlina (GBP) e o Rand sul-africano (ZAR) registam também desvalorizações relevantes, na ordem dos 0,61% e 0,54% respetivamente. No que concerne às práticas da banca comercial, constata-se uma heterogeneidade nos spreads praticados. O Banco Angolano de Investimentos (BAI) apresenta os spreads mais elevados face ao USD e ZAR, o que pode refletir uma menor apetência por estas divisas ou custos operacionais distintos. O Banco de Comércio e Indústria (BCI) e o Banco Comercial do Huambo (BCH), por sua vez, apresentam spreads mais contidos, em particular o BCH que se aproxima das taxas de referência do BNA. Esta disparidade demonstra a segmentação do mercado e a autonomia das instituições financeiras na definição das suas margens. O mercado informal, ou Kinguila, continua a exercer pressão sobre o Kwanza, com o dólar a cotar-se a 1080,00 AOA na compra e 1110,00 AOA na venda. Este diferencial significativo face às taxas oficiais demonstra a persistência de uma procura não satisfeita no mercado formal e a especulação cambial. A disparidade entre os mercados formal e informal permanece um desafio para a política monetária, indicando um excesso de liquidez em Kwanzas e/ou restrições no acesso a divisas. Em suma, o mercado cambial angolano permanece dinâmico, com o BNA a procurar gerir a depreciação do Kwanza. Contudo, a persistência de um mercado informal robusto e as variações nos spreads da banca comercial evidenciam a necessidade de um acompanhamento atento e de medidas que promovam a convergência das taxas de câmbio e a maior transparência do mercado. A pressão cambial deverá manter-se, condicionada pela evolução do preço do petróleo e pela gestão das reservas internacionais.

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