Voltar ao Início
Programa de Reordenamento do Comércio perde o rasto a milhares de informais
Os passeios estão a ser devolvidos à população em vários pontos da cidade de Luanda. Mas há uma pergunta que se faz sentir: para onde estão a ir os milhares de informais que durante anos fazia das ruas as suas bancadas? Para já, foram formalizados apenas 2.680 postos de trabalhos informais.
Três anos após o arranque do Programa de Reordenamento do Comércio (PRC), lançado em 2023 pelo Governo Provincial de Luanda (GPL) são visíveis os impactos em várias zonas da capital, como o São Paulo e a vila de Viana, em que praticamente desapareceram os vendedores informais de algumas vias públicas e os passeios foram devolvidos aos peões. Perdeu-se o rasto a milhares de vendedores informais, mas no âmbito deste programa apenas foram formalizados 2.680 postos de trabalho.
O PRC nasceu para responder ao crescimento desordenado do comércio informal e teve impacto rápido em locais próximos dos centros urbanos, com reflexos visíveis na mobilidade, higiene urbana e segurança rodoviária. Em zonas como São Paulo, Cacuaco, Camama e centro da vila de Viana, o reordenamento é mensurável, ruas antes tomadas por bancas improvisadas apresentam hoje maior fluidez, passeios libertos e circulação mais segura de peões e viaturas, factores que têm sido elogiados por moradores da zona.
Mas a reorganização tem impacto a nível social já que acaba por prejudicar o ganha-pão de milhares de angolanos que durante anos fizeram das ruas as suas bancadas. Segundo o vice-governador de Luanda para o sector Económico, Jorge Minguês, ao longo destes 3 anos o PRC permitiu a formalização de 2.680 trabalhadores até então informais. Número que parece muito escasso face à quantidade de pessoas que deixaram de vender de forma anárquicas nestes locais.
Uma boa parte dos informais foi encaminhada para mercados formais. No entanto, apurou o Expansão, tem sido difícil de fixar as vendedoras, que insistem em operar na informalidade, sobretudo, em zonas junto a paragens de táxis, onde há maior circulação de potenciais clientes.
Na prática acabam por não sair das ruas, queixando-se que os clientes não vão aos mercados. É o caso do mercado Chapa Vermelha, no Calemba 2, com capacidade para albergar 2.500 vendedoras, mas que está praticamente vazio, com apenas meia centena de bancas a operar.
Em áreas como o Kilamba Kiaxi, especialmente no Golf 2, o desafio permanece e o objectivo agora é fazer ali o que já foi feito, por exemplo, no São Paulo e noutras zonas. "Estamos a estudar a possibilidade de construir um terminal de passageiros no Golf 2.
O fluxo intenso de pessoas gera comércio ambulante exagerado, e sem um terminal adequado a desordem multiplica-se", explicou, Jorge Minguês. Em muitos casos, a opção passou por obrigar os taxistas a mudarem as suas paragens para locais onde se encontram os mercados formais. Foi isso que aconteceu recentemente com a desativação do mercado da Feira da Liberdade, no Golf 2, que ocupava um espaço público entre duas estradas.
O local será devolvido à comunidade e, paralelamente, está em marcha a construção de um novo mercado para realocar parte das vendedoras. Mas nem sempre é um trabalho fácil. Uma semana após o desmantelamento desta feira, os taxistas voltaram às suas paragens antigas, uma vez que ainda se está a reabilitar a estrada que dá acesso ao mercado da Paz, que albergou várias centenas de vendedoras. O Expansão apurou que já há vários casos de vendedoras que foram cadastradas neste mercado, que optaram por subalugar os seus espaços a outros vendedores....
Gostou deste artigo?
Partilhe com os seus amigos ou explore mais funcionalidades do Falanga.
Descarregar App Falanga