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Produção de petróleo estagna e mantém-se abaixo da meta do OGE

Produção de petróleo estagna e mantém-se abaixo da meta do OGE

A entrada em funcionamento do Begónia, do CLOV Fase 3 e do FPSO Agogo, juntamente com a redução das intervenções técnicas nas instalações petrolíferas, que resultou em menos paragens de produção face ao período homólogo, está na base da estagnação da produção e apenas suavizou o declínio. Angola produziu, entre Janeiro e Junho, 186,9 milhões de barris de petróleo, o equivalente a uma média diária de 1,032 milhões de barris. Face aos 1,030 milhões de barris/dia registados no primeiro semestre do ano passado, o aumento foi de apenas 2.636 barris por dia, ou seja, um crescimento de apenas 0,3%, o que significa que a produção petrolífera praticamente estagnou, de acordo com cálculos do Expansão com base nas estatísticas da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG). Apesar desta ligeira melhoria, o desempenho ficou aquém das expectativas do Executivo. Com uma produção média de 1,032 milhões de barris por dia no primeiro semestre, o País produziu menos 17,5 mil barris diários do que a média de 1,050 milhões de barris/dia inscrita pelo Governo no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026. Entretanto, para cumprir a meta anual prevista no OGE, as operadoras terão de elevar a produção para uma média de, pelo menos, 1,068 milhões de barris por dia durante o segundo semestre, o que representa um aumento de cerca de 3% face à produção registada entre Janeiro e Junho. Assim, este ligeiro aumento, que na prática, representa uma estagnação da produção, resulta, essencialmente, da entrada em operação dos projectos Begónia, CLOV Fase 3 e FPSO Agogo, que iniciaram a produção do "primeiro crude" na segunda metade do ano passado e contribuíram para elevar a produção dos respectivos campos. O Begónia, operado pela TotalEnergies, é o primeiro desenvolvimento submarino entre blocos em Angola. Localizado a cerca de 150 quilómetros da costa, nos blocos 17 e 17/06, em profundidades entre 800 e 1.200 metros, consiste na ligação submarina de cinco poços às infra-estruturas já existentes do FPSO Pazflor. O investimento ascendeu a 850 milhões USD e deverá acrescentar cerca de 30 mil barris por dia à produção daquela unidade. Também operado pela TotalEnergies, o CLOV Fase 3 é um projecto satélite no offshore profundo do Bloco 17, composto por cinco novos poços produtores ligados às instalações submarinas existentes do FPSO CLOV. A produção estimada é igualmente de cerca de 30 mil barris por dia. Já o FPSO Agogo, actualmente uma das mais modernas unidades flutuantes de produção do mundo, foi desenvolvido para suportar o projecto Agogo Integrated West Hub, no Bloco 15/06. O projecto é operado pela Azule Energy, que detém 36,84% de participação, em parceria com a Sonangol P&P (36,84%) e a Sinopec International (26,32%). Além da entrada em produção destes três projectos, outro factor que ajudou a explicar a ligeira melhoria da produção foi a redução do número de paragens de manutenção nas instalações petrolíferas. No primeiro semestre deste ano, o volume de intervenções técnicas foi inferior ao registado no mesmo período de 2025, permitindo reduzir o tempo de indisponibilidade das unidades de produção e, consequentemente, aumentar o volume de crude produzido. "Se compararmos com as intervenções realizadas no mesmo período do ano passado, verificamos que este ano houve menos intervenções, o que permitiu reduzir as paragens da produção . Isto associado a entrada em funcionamento projectos Begónia, CLOV Fase 3 e FPSO Agogo, e o avanço das operações em três campos, o campo Raia no bloco 2/05 e os cambos Cobalto e Galho no bloco 18, é que estão da base deste ligeiro aumento", explicou Vladimir Ferreira, especialista em petróleo e gás. Na prática, as paragens de manutenção nos blocos petrolíferos são realizadas periodicamente para garantir a segurança, a eficiência e a integridade operacional das instalações offshore e das unidades FPSO. Só para se ter uma ideia, decorreu uma operação de Full Field Shutdown (FFSD) na unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) Girassol, no Bloco 17, um dos activos mais importantes do sector petrolífero nacional, responsável por cerca de 30% da produção angolana. A intervenção teve um impacto significativo na produção do período. Apesar da ligeira recuperação observada nos primeiros seis meses do ano fave ao período homólogo, o declínio da produção petrolífera continua a ser uma realidade em Angola, consequência da maturação dos campos e da redução dos investimentos em novos projectos de grande dimensão. "Este ligeiro aumento que se observou não significa que o declínio tenha sido estancado. Boa parte da nossa produção continua a vir de campos maduros, que produzem há mais de 15 ou 20 anos", afirmou Vladimir Ferreira. Segundo o analista, os novos projectos que entraram em produção no ano passado resultam de medidas de curto prazo destinadas apenas a suavizar a...

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