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Produção da Galp sobe 12% e margem de refinação mais do que duplica — e Angola continua a beneficiar dos resultados da petrolífera

Produção da Galp sobe 12% e margem de refinação mais do que duplica — e Angola continua a beneficiar dos resultados da petrolífera

A Galp registou uma produção média de 127 mil barris de petróleo equivalente por dia no segundo trimestre deste ano, um aumento homólogo de 12%, com a margem de refinação a mais do que duplicar, para 16,8 dólares por barril, segundo a actualização de dados operacionais (trading update) divulgada pela petrolífera portuguesa. De acordo com o documento, no segmento de upstream (exploração e produção) o petróleo representa 88% da produção total, uma ligeira subida face ao trimestre anterior e ao período homólogo. No segmento industrial e de midstream(transporte e armazenamento), o volume de matérias-primas processadas aumentou 7% em termos homólogos, para 22,6 milhões de barris de petróleo equivalente, e avançou 21% face ao trimestre anterior. Já a margem de refinação mais do que duplicou face ao período homólogo, passando de 6,1 para 16,8 dólares por barril. O fornecimento de produtos petrolíferos atingiu 3,9 milhões de toneladas, uma queda homóloga de 5%, mas um aumento em cadeia de 9%. O gás natural voltou a subir, com os volumes de fornecimento e trading a crescerem 6% em termos homólogos, para 19,7 terawatts-hora (TWh). Nas vendas a clientes, os produtos petrolíferos caíram, em termos homólogos, 5%, enquanto as de gás natural subiram 11% e as de electricidadeaumentaram 21%. Na área das energias renováveis, a capacidade instalada situou-se em 2,3 gigawatts, mais 39% tanto em termos homólogos como em cadeia, e a produção renovável vendida ascendeu a 888 gigawatts-hora, um aumento de 12% em termos homólogos e de 89% em cadeia. A Galp apresenta os resultados completos do segundo trimestre no dia 27 de Julho, antes da abertura do mercado. A ligação a Angola Apesar de os números agora divulgados já não incluírem qualquer produção angolana — a Galp encerrou em 2023/2024 o ciclo de mais de quatro décadas de exploração e produção de petróleo no país —, os resultados da petrolífera continuam a ter reflexo directo na economia angolana, através da participação accionista que a Sonangol detém na empresa. A presença da Galp em Angola remonta a 1982, ano em que a petrolífera entrou no negócio de exploração e produção no país. A produção arrancou em 1991, no campo de Safueiro, no bloco 1/82, seguindo-se o campo de Kuito, em 1999, e mais tarde a participação nos blocos 14, 14K e 32, que incluíam projectos como Tombua-Landana, BBLT (Benguela, Belize, Lobito, Tomboco), Kuito, Lianzi, Kaombo e CNE — alguns dos mais relevantes da indústria petrolífera offshore angolana. Em 2023, a Galp vendeu a totalidade destes activos de upstream à petrolífera angolana Somoil, por cerca de 830 milhões de dólares, operação formalizada pelo Governo angolano em 2024, o que encerrou definitivamente a actividade de exploração e produção da Galp em Angola. Ainda assim, a petrolífera portuguesa mantém presença no país através de actividades a jusante (downstream): a Petrogal Angola dedica-se à distribuição e comercialização de lubrificantes, enquanto a Sonangalp assegura a distribuição e comercialização de combustíveis líquidos e lubrificantes nos segmentos de retalho e grossista. Mais relevante ainda para a economia angolana é o facto de a própria Sonangol ser, hoje, accionistaindirecta da Galp. A participação é feita através da Esperaza Holding BV, sociedade controlada pela petrolífera estatal angolana, que detém uma fatia da Amorim Energia — a holding que junta a família Amorim e a Sonangol e que, por sua vez, controla cerca de 36,7% do capital da Galp. Em declarações recentes, a Sonangol reafirmou que pretende manter esta participação, tal como a que detém no banco português BCP, por considerar tratar-se de “dois activos muito importantes” na sua estratégia de diversificação do portefólio. Ou seja: resultados trimestrais como os agora divulgados pela Galp — nomeadamente a subida da produção e o forte reforço da margem de refinação — traduzem-se, ainda que indirectamente, em valor para a petrolífera angolana e, por essa via, para o Estado angolano.

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