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Privatizações procuram abrir espaço ao sector privado na economia angolana
AIPEX considera que a alienação de activos do Estado transmite um sinal de abertura aos investidores. Entre 2023 e 2025, Angola registou cerca de 380 projectos de investimento, avaliados em 14,9 mil milhões de dólares.
O processo de privatizações em curso em Angola, aliado ao potencial energético e à evolução dos indicadores macroeconómicos, poderá contribuir para reforçar a capacidade do país de atrair investimento estrangeiro. A avaliação foi feita pelo presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo das Chagas Rangel, que considera a redução da presença do Estado na actividade empresarial um sinal de abertura ao sector privado.
O responsável falava na Terça-feira, durante o painel «Investir em Angola», integrado no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, realizado na ilha do Sal, em Cabo Verde. Na ocasião, defendeu que a campanha de privatizações deve ser avaliada não apenas pelas receitas obtidas, mas também pela mensagem que transmite aos empresários e aos mercados internacionais.
«O mais importante desta campanha de privatização não são os valores arrecadados, mas é um sinal claro para o mercado, para os empresários, de que o Estado está a retirar-se enquanto operador e está a deixar o mercado ser operado pelo sector privado», afirmou Arlindo das Chagas Rangel.
Na perspectiva da AIPEX, esta orientação poderá abrir novas oportunidades para os empresários, aumentar a participação do capital privado na economia e contribuir para uma maior dinamização da actividade produtiva.
Investimento de 14,9 mil milhões de dólares em três anos
No balanço dos projectos captados, o presidente da AIPEX revelou que Angola registou cerca de 380 iniciativas de investimento entre 2023 e 2025, com um valor global estimado em 14,9 mil milhões de dólares.
Os números, segundo o responsável, reflectem o interesse de investidores internacionais no mercado angolano, com particular destaque para os países asiáticos, nomeadamente a China. Foram igualmente referidos investidores de outros mercados, como Singapura e Dubai, enquanto Portugal figura entre os países lusófonos com participação nos fluxos de investimento.
A presença destes investidores evidencia a importância de diversificar as parcerias económicas e reforçar a ligação de Angola a diferentes centros internacionais de capital. Neste contexto, a capacidade de transformar o interesse manifestado em projectos concretos será determinante para ampliar a actividade empresarial, criar emprego e aumentar a produção nacional.
Potencial energético pode favorecer a indústria
A disponibilidade de energia e de recursos naturais constitui outro dos argumentos apresentados pela AIPEX para sustentar a atractividade de Angola. Arlindo das Chagas Rangel destacou a existência de terras aráveis, a riqueza dos recursos naturais e a capacidade de produção eléctrica, incluindo a proveniente de fontes limpas.
Segundo o responsável, o país dispõe de capacidade de produção de electricidade superior às actuais necessidades de consumo, uma situação que poderá ser reforçada com a entrada em funcionamento de novos empreendimentos hidroeléctricos.
O custo da energia foi igualmente apontado como um factor relevante para a competitividade das empresas. De acordo com a intervenção, os preços praticados em Angola são inferiores aos de vários mercados africanos e europeus, embora os valores comparativos careçam de confirmação através de dados sectoriais actualizados.
A disponibilidade de electricidade a preços competitivos poderá beneficiar a instalação de unidades industriais, a expansão das empresas existentes e o desenvolvimento de projectos em sectores com potencial para aumentar a produção interna e as exportações.
Segurança jurídica continua a ser um desafio
Apesar das oportunidades identificadas, o responsável reconheceu que Angola precisa de continuar a melhorar as condições de funcionamento do ambiente de negócios, sobretudo no que respeita à previsibilidade dos procedimentos e à rapidez da resolução de processos judiciais.
A segurança jurídica, a transparência e a eficácia dos mecanismos de resolução de litígios foram apontadas como condições essenciais para reforçar a confiança dos investidores, em particular daqueles que pretendem desenvolver projectos de médio e longo prazo.
Neste domínio, Arlindo das Chagas Rangel destacou a importância da arbitragem e da aplicação efectiva das leis, considerando que a existência de um quadro legal adequado deve ser acompanhada por mecanismos que assegurem o seu cumprimento.
A intervenção da AIPEX colocou, assim, em evidência a necessidade de conjugar as vantagens naturais e energéticas do país com reformas que tornem o mercado mais previsível e favorável à iniciativa empresarial.
Refira-se que o Fórum de Investimento da África Lusófona 2026 reúne representantes institucionais, empresários e investidores para promover parcerias e identificar oportunidades de negócio entre os países de língua portuguesa.
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