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Preços de bens alimentares crescem 10,1% no informal e 4,1% no formal
A escassez de peixe carapau devido ao período de veda impulsionou a subida dos preços dos produtos seleccionados pelo Expansão. Para sobreviver à subida do custo do cabaz, as famílias angolanas recorrem cada vez mais à "sócia". "Parece que trabalhamos só para comer", lamenta uma consumidora.
Os preços de alguns dos principais produtos alimentares seleccionados pelo Expansão aumentaram em média 10,1% nos mercados informais e 4,1% nos mercados formais entre Janeiro e Setembro deste ano. O escalar de preços no mercado informal deve-se, essencialmente, à sazonalidade que afecta a disponibilidade de alguns produtos, sobretudo o peixe carapau que, se ficar fora destas contas, faz com que os preços no mercado informal apenas tenham crescido 1,4%. Embora a taxa de inflação homóloga medida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esteja a abrandar há 25 meses consecutivos - o que significa que os preços continuam a subir, mas a um ritmo mais lento -, as famílias angolanas continuam a sentir o peso do baixo poder de compra, com reflexos directos no consumo.
Entre Janeiro e Setembro, o custo do cabaz de 22 produtos acompanhado pelo Expansão nos mercados informais passou de 124.892 Kz para 137.478 Kz, um acréscimo de 10,1%, equivalente a mais 12.586 Kz em nove meses (ver tabeças). Nos mercados do Asa Branca e do Catinton, este aumento foi puxado essencialmente pela subida em 23% na caixa de peixe carapau (20 kg) e de 17,1% na caixa de óleo alimentar Tio Lucas (12 litros). Em sentido contrário, as principais quedas de preços no mercado informal verificaram-se na fuba de milho, cuja média por quilo caiu 30% para 496 Kz (uma lata que custava 708 Kz em Janeiro baixou para 496 Kz em Setembro), no açúcar branco (- -25,0%), na cenoura (-25,7%) e na batata-doce (-18,2%).
Nos supermercados formais (Candando, Max e Kero), os preços médios do cabaz seleccionado pelo Expansão cresceram 4,1%, impulsionados pelo aumento de 42% no leite líquido Mimosa (+650 Kz), 38,9% na batata rena (+467 Kz) e 14,5% na carne seca de 500g (+945 Kz). Paralelamente, registaram-se ligeiras descidas pontuais em alguns artigos nestas grandes superfícies: 1 kg de banana de mesa caiu 16,8% (menos 102 Kz) e 1 kg de peixe carapau baixou 11,3% (menos 700 Kz), uma variação explicada pelo tamanho do pescado.
A proibição da captura - o chamado período de veda anual, que vigorou entre 1 de Julho e 31 de Agosto - protegeu o ciclo de reprodução da espécie e a sustentabilidade pesqueira, mas pesou fortemente no orçamento doméstico. O carapau é uma das proteínas marinhas mais consumidas em Angola, em particular pelas famílias de menor rendimento, que recorrem a estratégias de partilha de compras (a popular "sócia") para conseguir adquiri-lo...
Leia o artigo integral na edição 897 do Expansão, sexta-feira, dia 09 de Outubro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui
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