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Preço do Brent sobe mais de 4% para 79 dólares com escalada do conflito no Irão
O preço do petróleo Brent disparou mais de 4% esta segunda-feira, para cerca de 79 dólares o barril, depois de o Irão ter anunciado no domingo o encerramento “até novo aviso” do Estreito de Ormuz — a passagem marítima por onde circula cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás. O contrato de referência subiu de um fecho anterior de 76 dólares para 79,22 dólares, travando a queda registada nos dois dias anteriores.
A subida surge no seguimento de um novo agravamento das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão, que fizeram ruir o frágil cessar-fogo em vigor desde meados de Junho. Segundo a imprensa internacional, as forças norte-americanas atingiram, no fim-de-semana, cerca de 90 alvos militares iranianos numa segunda noite consecutiva de ataques aéreos, em resposta a ataques de Teerão contra navios mercantes no Estreito de Ormuz — incluindo um navio porta-contentores com bandeira cipriota. Os Guardas Revolucionários iranianos afirmam ter disparado um tiro de aviso contra um navio que tentava atravessar o estreito por uma rota não autorizada, reiterando que a passagem se mantém encerrada, uma versão contestada pelo Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) e pelo Presidente Donald Trump, que insistem que a via continua aberta.
Ponto da situação
O conflito entre Washington e Teerão entra agora praticamente a meio de uma janela de 60 dias que as duas partes tinham estabelecido para negociar um acordo, depois de as conversações de paz em Genebra terem sido adiadas de forma abrupta em Junho. O Irão exige que os Estados Unidos cumpram primeiro os compromissos assumidos sobre a livre circulação no Estreito de Ormuz e sobre a normalização das exportações petrolíferas iranianas, antes de qualquer retoma das negociações. Washington, por seu lado, voltou a impor sanções às vendas de petróleo iraniano em retaliação pelos ataques a navios comerciais.
Nos últimos dias, o conflito alastrou também a bases militares norte-americanas na região: o Irão já lançou mísseis balísticos contra uma base dos EUA na Jordânia — interceptados pelas autoridades jordanas — e a Guarda Revolucionária iraniana atacou instalações norte-americanas no Kuwait e no Bahrein. Apesar da escalada, mantém-se um canal diplomático paralelo, com Omã a mediar esforços para assegurar a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, e Teerão a manter contactos indirectos com Washington.
Para os mercados, o risco de uma disrupção prolongada do fornecimento físico de petróleo através de Ormuz — rota vital também para o gás natural liquefeito do Golfo — continua a sustentar um prémio de risco elevado nos preços do crude, depois de o barril já ter ultrapassado os 100 dólares em Maio, quando as esperanças de um acordo entre Washington e Teerão praticamente se esgotaram.
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