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Portugal e offshores dominam investimentos angolanos lá fora

Portugal e offshores dominam investimentos angolanos lá fora

Relatório do BNA continua apenas a fazer referência a cinco jurisdições como destino de investimentos de angolanos, impedindo de saber quanto está em paraísos fiscais como Suíça, Malta ou Dubai. Mas diz quanto está em Portugal e nas offshores como Maurícias e Ilha de Man. O peso de Portugal no stock de investimento de angolanos no estrangeiro não pára de crescer e no III trimestre do ano passado já rondava os 48% do total de 5.405,7 milhões USD, o que representa um aumento de 5,0 pontos percentuais face ao final de 2024. Já o investimento em paraísos fiscais como as ilhas Maurícias e a Ilha de Man também cresceu e valem 19% do stock de investimento no estrangeiro. De acordo com cálculos do Expansão com base no relatório do Banco Nacional de Angola sobre a Balança de Pagamentos e Posição do Investimento Internacional de Angola no III trimestre de 2025, estas três jurisdições valem 67% dos investimentos dos angolanos fora do país. Neste relatório, o banco central apenas identifica cinco locais onde os angolanos têm investido fora do País, nomeadamente Portugal (que tem a offshore da ilha da Madeira), as offshores Maurícias e Ilha de Man, bem como São Tomé e Cabo Verde (ver gráfico). Quanto aos restantes 1.741 milhões USD, o banco central catalogada-o em "Outros", impedindo aferir em que países os angolanos têm os seus investimentos, mas será neste "Outros" que estarão paraísos fiscais como o Dubai, Malta, Suíça, que oferecem vantagens fiscais e regulatórias para negócios internacionais, e que têm sido reportados como locais onde os angolanos com dinheiro têm colocado par te das suas fortunas, uma boa parte delas investidas em empresas ali domiciliadas. É de conhecimento público que muitas vezes estes paraísos fiscais funcionam apenas como veículos para que os angolanos que investem noutros países, como Portugal, onde alguns Pessoas Politicamente Expostas (PEP, na sigla em inglês) detêm participações em empresas de vários sectores, como banca ou serviços, consigam ocultar quer a proveniência dos fundos, quer a identidade dos beneficiários. E ao longo dos anos, algumas dessas empresas de angolanos instaladas em paraísos fiscais, jurisdições onde a lei facilita a aplicação de capitais estrangeiros, com tributação muito baixa ou nula, acabaram também por investir em Angola, sobretudo em sociedades anónimas, com o objectivo de esconder os últimos beneficiários das empresas, muitas vezes empresários com ligações familiares ao poder político que, face às regras internacionais, estão impedidos de participar em determinados negócios, como acontece com a banca. Estes paraísos fiscais permitem esconder os PEP, mas também permitem ocultar a origem do dinheiro... Leia o artigo integral na edição 871 do Expansão, quinta-feira, dia 10 de Abril de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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