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Petróleo: Um "rombo" histórico no valor do barril que pode ser resultado de uma fábula moderna

Petróleo: Um "rombo" histórico no valor do barril que pode ser resultado de uma fábula moderna

Sem contar com o fim-de-semana, quando os mercados fecham para, também eles, poderem recuperar das arritmias sucessivas, entre 24 de Setembro e hoje, quarta-feira, 30, foram cinco dias trepidantes. Dos quase 108 USD, o barril de Brent, a primeira referência para as ramas exportadas por Angola, passou a rebolar pelo tempo à velocidade de quase três dólares por dia, para se estatelar nos actuais 95 USD. Os 95, 4 USD, e a descer rapidamente, representam uma perda ligeira face ao fecho de ontem, mas acentuada a contar de segunda-feira, ou seja, quase 5%, sendo, a esta hora, 09:10 de quarta-feira, 30, hora de Luanda, uma garantia que a descida está longe do fim, E tudo porque os números que estão a circular pelos media especializados e pelos analistas dos mercados, avançados quase em exclusivo pelo site Kpler, apontam na direcção de um aumento substantivo do trânsito de petroleiros no Estreito de Ormuz. Além disso, mesmo que estes dados exijam dupla confirmação para poderem ser validados, eles coincidem com uma nova libertação de reservas estratégicas dos Estados Unidos, o que, em si, é uma possível contradição porque as reservas estratégicas norte-americanas estão no limite histórico em baixa. Alias, há mesmo analistas, como Jefferey Currie, antigo quadro da Golman Sachs, que defendem que Donald Trump pode estar a mexer am água paradas há demasiado tempo para poder saber o que está abaixo delas. Ou seja, as reservas de crude nos EUA, essencialmente acumuladas em antigas grutas salíferas, não podem descer abaixo de um determinado nível sob risco de estes depósitos naturais poderem ficar inutilizados para sempre. O que choca com o facto de terem sido enviados para os mercados mais uns milhões de barris dessas reservas quando Donald Trump insiste que o crude está a passar por Ormuz quase de forma livre, como antes da guerra, apesar de o Irão insistir que isso não é verdade, afirmando estar esta estratégica passagem com um fluxo mínimo e só o que é permitido por Teerão. Acresce ainda que alguns media, como o TradingEconomics, apontam para a ideia de que o fluxo de petróleo que está a sair do Golfo Pérsico é muito semelhante ao que era registado antes da guerra, nos 17,5 milhões de barris por dia, 98% dos 20 milhões anteriores. São estes números, em que muitos analistas não acreditam, mas que ao longo dos meses Donald Trump tem usado para criar cenários artificiais com que tem vindo a manipular os mercados, que permitem a subida perda de valor do barril, tanto o de Brent como o WTI, em Nova Iorque. Além disso, a espantosa soma de ventos favoráveis à navegação eleitoral de Trump para as eleições intercalares de 03 de Novembro nos EUA, para as quais carece com urgência de baixar a inflação e o preço dos combustíveis, não terminam por aqui. Na Arábia Saudita, o oleoduto Leste-Oeste, que permitia a Riade passar mais de 5 milhões de barris por dia do Golfo Pérsico para o Mar vermelho, que estava offline há semanas, devido a ataques das milícias xiitas iraquianas, próximas da AnsarAllah, do Iémen, que estão em guerra com os sauditas, foi agora recuperado. Se Donald Trump pudesse, há uma semana, pedir ao "Génio da Lâmpada" de Aladino, nas "Mil e Uma Noites", um desejo eleitoral, seria a conjugação destes três elementos: a recuperação do oleoduto saudita, a normalização do trânsito de crude por Ormuz e ter reservas estratégicas abundantes para libertar sempre que necessário para manter os mercados controlados. Como em tudo na vida, há analistas que dizem que acreditar em fábulas é uma prorrogativa que não pode ser negada nem aos analistas de mercados nem aos media especializados, mas nem todos vão nestas cantigas. É que há alguns, como Philip Pilkington, chefe de estratégia da Privatinvestor Capital, que desconfiam de quando a esmola é muito grande, porque, justificam, além de estar longde de ser claro que estes números colam na realidade, alertam para o facto de neste momento haver outro elemento ainda mais relevante que o fluxo de cude no mundo. É a capacidade global de refinação e a escassez de combustíveis refinados em todo o mundo devido à redução da actividade refinadora em resultado das guerras noGolfo Pérsico e na Ucrânia/Rússia, sendo hoje um gigantesco problema o acesso a gasóleo nas grandes economias ocidentais. Mas também o jet fuel para a aviação começa a gerar pânico global, e não é apenas devido à escassa oferta de crude, é, essencialmente, como alerta Pilkington, à falha na disponibilidade de refinados. Seja como for, nos EUA Donald Trump e o seu Partido Republicano, a quem todas as sondagens já preanunciam uma derrota das eleições intercalares de Novembro, e a perda da maioria no Congresso, precisavam deste cenário para alimentar a esperança de uma rampa de saída para a iminente catástrofe eleitoral que os aguarda. E, como se tem visto com a velocidade com que Trump muda de opinião, planos e estratégias, a verdade é um elemento relativo neste contexto.

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