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Petróleo: Trump disse "não" a proposta do Irão para reabrir Ormuz e…
... que o Irão levou para Nova Iorque, na vasta comitiva que participou na 81ª Assembleia-Geral da ONU, mais que discursos com o "verbo" apontado à criminosa guerra que EUA e Israel lançaram contra este país, a 28 de Fevereiro deste ano...
... na bagagem seguiu também uma proposta concreta para reabrir o Estreito de Ormuz, que há longos meses afunila 20% do crude e do gás globais, em sete dias, com metas claras que, como seria sempre evidente...
... teriam de passar pelo alívio das sanções ocidentais contra o Irão, especialmente quanto à comercialização do seu petróleo, a devolução do dinheiro congelado no exterior e o travão a fundo na guerra, incluindo as frentes do Líbano e Iémen.
O conteúdo desta proposta foi conhecido no Sábado, 26, em Nova Iorque, após ter sido entregue pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, à delegação norte-americana, num diálogo mediado pelo Catar.
Por momentos, pensou-se, quando um porta-voz sénior do Departamento de Estado (diplomacia) vincou que os EUA não estavam com pressa para responder a Teerão, que se tratava de uma iniciativa preparada previamente e que se estava na fase do bailado mediático quer antecede a assinatura de um acordo.
Mas Donald Trump saiu a terreiro, fazendo de si mesmo neste teatro desastroso para a economia global, propjectando um rotundo "não" à proposta iraniana, alegando que está a ganhar a guerra e que se Teerão está a propor um acordo é porque os iranianos estão aflitos e que ele é que tem "todas as cartas" na mão.
Ao mesmo tempo que Trump dizia que não a esta proposta (ver aqui os desenvolvimentos iniciais) a Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) atacava cerca de duas dezenas de petroleiros no Golfo Pérsico para dizer ao Presidente norte-americano que em Ormuz mandam os que lá estão e que as cartas que acha que tem são ilusórias, como veio depois Teerão lembrar, estavam a conceder algumas facilidades na passagem de navios como gesto de boa vontade.
Ainda assim, e mesmo antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira, 28, Abbas Araghchi, procurando aveludar a posição de Trump, veio dizer que o Irão ainda estava à espera de uma resposta definitiva da delegação norte-americana que recebeu a proposta...
... e negava de forma liminar que estejam a decorrer ou em perspectiva novas conversações com os EUA, o que foi, curiosamente, avançado pelo Presidente norte-americano ao mesmo tempo que rejeitava a proposta de Teerão.
Todavia, essa resposta não aconteceu ainda, embora os media norte-americanos já estejam a dar este assunto como encerrado após a declaração de Trump a rejeitar a proposta iraniana, que, em síntese, recupera o conteúdo do Memorando de Entendimento assinado a 15 de Junho entre EUA e Irão.
Recupera, sintetiza e reduz à expressão minimalista que Trump gosta de aplicar a todo o seu pensamento estratégico, os 60 dias previstos no Memorando, do qual Washington saiu unilateralmente sem explicações, para sete dias, prazo no qual poderia ser reaberto o Estreito de Ormuz.
Catrapum... logo na abertura dos mercados, o barril de crude Brent, a referência principal para as ramas exportadas por Angola, deu um pulo de mais de 2%, para mais de 106 USD, depois de ainda há uma semana ter caído abaixo dos 100 USD.
Ou seja, de 22 de Setembro até hoje, segunda-feira, 28, perto das 09:10, hora de Luanda, o Brent passou de 98 USD para os 107, 8 USD, trepando mais de 3,3 %, e sempre, sem excepção, graças às saltitantes declarações de Donald Trump que vão da ameaça de "aniquilar a República Islâmica" a "está para breve um acordo com o Irão".
Estas oscilações de humor podem ser mais que mera demonstração de perdas neuronais aceleradas do Presidente norte-americano, pode ser Donald Trump, como alguns analistas já admitem, a ajudar os seus amigos e financiadores de primeira linha que estão no negócio do fracking, cujo breakeven é muito superior à extracção tradicional de crude.
Se este cenário de alongar pelos dias que restam até Outubro, os analistas, como Jefferey Currie, antigo quadro superior da Goldman Sachs, que no início do século ganhou notoriedade global ao prever a escalada do barril para cima dos 100 USD, admitem a ocorrência de uma singularidade nos mercados.
Ou seja... algo nunca visto, porque todo o contexto actual está assente em falsas premissas, onde nada corresponde à realidade no terreno, e nos depósitos das reservas globais, com distorções gigantescas entre os valores actuais e os nós estruturais que se acentuam dia após dia na fileira do crude e dos combustíveis.
Além do estrangulamento em Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, no outro lado da Península Arábica, no Estreito de Bab al-Mandeb, que estava a ser usado para Riade escoar parte da sua produção "presa" em Ormuz, a guerra entre sauditas e a AnsarAllah (Houthis), do Iémen, compromete também este ponto de passagem estratégico entre o Mar Vermelho/Canal do Suez e o Oceano Índico (Ásia...).
Com o mundo apertado entre estes dois pontos de passagem estratégicos, que amarram 20% do crude e do gás (LNG), além de inúmeras matérias-primas fundamentais, como alumínio, fertilizantes... ou mais de 12% do comércio geral global em Bab al-Mandeb, os analistas, como Currie, assumem que não é exagero esperar-se uma hecatombe económica global, porque, como se diz na gíria... o capim está demasiado seco para não pegar fogo.
E é por isso que os países com as economias mais petrodependentes, como a angolana, olham para este cenário com redobrada atenção, porque se por um lado, a valorização do barril, alarga o fosso entre o valor usado para elaborar o OGE 2026, por outro, o aumento dos preços dos transportes, dos refinados... pode eliminar os ganhos do lado das exportações...
Angola soma ganhos...
O actual cenário internacional tende claramente a manter os preços acima do valor estimado pelo Governo angolano para o OGE 2026, 61 USD, que compara com os actuais 106 USD, no caso do Brent, cerca de 45 USD acima desse valor.
Angola é, por isso, um dos países mais atentos a estas oscilações devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial.
Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo.
O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023, actualmente abaixo de 1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo.
O aumento da produção nacional, cujo potencial cresceu significativamente já este ano com o anúncio da TotalEnergies de uma grande descoberta com potencial de 500 mb, não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país.
Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente â beira de 1 milhão de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008
Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.
A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.
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