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Petróleo recua ligeiramente após disparar mais de 12% em três sessões

Petróleo recua ligeiramente após disparar mais de 12% em três sessões

Os preços do petróleo registam ligeiras perdas esta quinta-feira, depois de acumularem uma valorização superior a 12% nas três sessões anteriores, numa altura em que a escalada das tensões no Médio Oriente continua a alimentar receios de perturbações no abastecimento mundial de crude. Por volta das 09h00, em Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas, recuava 0,3%, negociando nos 84 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, cedia 0,14%, para 79,5 dólares por barril. Apesar da ligeira correção, o mercado permanece sob forte pressão. A recente escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão reacendeu as preocupações em torno da segurança das rotas energéticas da região, depois de Washington ter realizado uma nova vaga de ataques aéreos contra alvos iranianos, em resposta aos sucessivos ataques atribuídos à República Islâmica contra navios comerciais que atravessam o estreito de Ormuz. O conflito impulsionou o petróleo para os níveis mais elevados em cerca de um mês, revertendo parcialmente a queda de aproximadamente 30% registada durante o segundo trimestre. Os investidores receiam que qualquer interrupção prolongada na circulação de petróleo pelo Golfo Pérsico comprometa uma das principais artérias do comércio energético mundial. Ao mesmo tempo, a guerra na Europa de Leste continua a pressionar o mercado. Ataques ucranianos contra infraestruturas russas de produção de combustíveis e contra camiões-cisterna agravaram as preocupações sobre a oferta global, num momento em que o mercado já enfrenta elevados riscos geopolíticos. "Não estamos apenas perante o risco de perder o fluxo de petróleo através do estreito de Ormuz, mas também enfrentamos interrupções na produção e na capacidade de refinação da Rússia", afirmou Jeff Currie, analista do Carlyle Group, citado pela Bloomberg. "A situação no setor energético é bastante grave", acrescentou. No plano político, o Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu intensificar os bombardeamentos contra o Irão até que Teerão cesse os ataques contra embarcações no estreito de Ormuz e aceite reabrir aquela via marítima estratégica para o transporte de petróleo e gás. Entretanto, o Wall Street Journal revelou que a administração norte-americana estará a ponderar alargar as operações militares, incluindo uma eventual ação sobre a Ilha de Kharg, onde está localizado o principal terminal de exportação de petróleo do Irão. Do lado iraniano, contudo, os sinais de recuo permanecem limitados. A Guarda Revolucionária Islâmica reiterou, na quarta-feira, que o estreito de Ormuz permanecerá encerrado enquanto os Estados Unidos mantiverem os ataques militares e o bloqueio aos portos iranianos, aumentando o risco de um agravamento do conflito e de novas oscilações nos mercados internacionais de energia. Os analistas alertam que qualquer interrupção prolongada do tráfego no estreito de Ormuz - por onde transita cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo - poderá desencadear uma nova escalada dos preços do crude, com impactos diretos na inflação global, nos custos de transporte e no crescimento económico.

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