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Petróleo: Os mercados petrolíferos apostam tudo na paz, mas a realidade mostra águas turvas nos Estreitos de Ormuz e Bab al-Mandab

Petróleo: Os mercados petrolíferos apostam tudo na paz, mas a realidade mostra águas turvas nos Estreitos de Ormuz e Bab al-Mandab

A normalidade não foi reposta, como o demonstram os ataques nas últimas 24 horas entre a Arábia Saudita e os Houthis, do Iémen, que são quem mantém fechado o Estreito de Bab al-Mandab, havendo mesmo registo de navios atacados nesta terça-feira, 04. E em Ormuz, como se pode verificar na observação do siteMarineTraffic,que segue ao minuto o trânsito por esta estratégica via marítima, por onde, normalmente, transita 20% do petróleo e do gás mundiais, a circulação mantém-se em mínimos históricos. Isso mesmo está esta quarta-feira, 05, a ser noticiado pela Reuters, que avança ser quase nulo o uso comercial tanto de Bab al-Mandab, que, devido ao acesso ao Canal do Suez/Mediterrâneo, responde por 12% do comércio mundial total, como em Ormuz. Ainda assim, sabendo-se que Bab al-Mandab tem sido uma alternativa para que os sauditas façam chegar aos mercados asiáticos perto de 5 milhões de barris de crude por dia, cerca de 40% do total que este gigante produz e exporta diariamente, nos mercados internacionais regista-se uma descida média de 5% a 7% no valor do barril ao dia nas últimas 72 horas. Uma das explicações é que, numa clara e planificada ofensiva, que começou com o Presidente dos EUA que anunciou para o fim-de-semana anunciava "o maior ataque alguma vez feito desde a II Guerra Mundial" contra o Irão e depois, ainda no Sábado, 01 de Agosto, vinha garantir que o Irão e a Arábia Saudita lhe imploraram para não carregar no botão. Segundo Donald Trump, ao tirar o dedo do gatilho, abriu novamente espaço para negociações e veio garantir que o Estreito de Ormuz seria reaberto totalmente entre segunda e terça-feira desta semana, fazendo referência a negociações em curso entre americanos e iranianos. Depois foi Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, que enfatizou as palavras de Trump, garantindo também que as negociações com Teerão estão a correr bem já há alguns dias, o que foi igualmente notado por Scott Bessent, o secretário do Tesouro dos EUA. A tudo isto, embora em nada tenha afectado o optimismo dos mercados, na perpectiva de que os seus gráficos usam o verde para sinalizar a descida dos preços e o vermelho para vincar as subidas no valor do barril, o Irão respondeu que em Teerão ninguém sabe do que falam Trump. Rubio e Bessent. Isto, porque, como veio garantir Esmael Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Irão não tem qualquer conversa com os EUA a decorrer, nem directa nem indirectamente, admitindo apenas que estão a acontecer negociações com Omã, o país com quem divide as águas do Estreito de Ormuz, para a gestão futura deste canal estratégico para a economia mundial. Além disso, Massoud Pezeshkian, o Presidente iraniano, neste espaço de cinco meses, desde que a coligação israelo-americana atacou, de forma ilegal e traiçoeira, o Irão, a 28 de Fevereiro, matando logo na primeira hora o Líder Supremo, aiatola Ali Khamenei, e mais 40 figuras de proa do regime, entre militares e políticos, já disse várias vezes que "o tempo de acreditar na palavra do Presidente dos EUA já passou". É que os iranianos não se esquecem que também em Junho de 2025 o país foi atacado por Israel e EUA quando estavam a decorrer sérias negociações entre Teerão e Washington, tendo os iranianos sido apanhados de surpresa e impreparados. Essa é uma das razões para que actualmente a liderança iraniana recuse falar directamente com os EUA, até porque o Líder Supremo assassinado em Fevereiro era o pai do actual, Mojtaba Khamenei, que viu morrer naquele ataque também a sua mãe, mulher e filha. É neste caldo, onde entre os Estreitos de Ormuz e Bab al-Mandab o barril de petróleo parece estar a flutuar contrariando as mais básicas regras da flutuabilidade seja nas águas do mar, seja nos vastos oceanos da economia planetária. É que o barril de Brent, a referência maior para a economia angolana, estava esta manhã de quarta-feira, 05, perto das 09:30, hora de Luandas, a valer 80,20 USD, com ganhos ligeiros a partir dos 79,6 USD com que começou a sessão, ignorando claramente as águas ainda muito turvas no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico. A única razão para este optimismo é que iranianos e omanitas mostram-se pacientes para encontrar uma solução que permita a reabertura de Ormuz e Teerão já admitiu que as coisas estão a correr bem, além de que o Paquistão, o mediador de serviço entre iranianos e Washington, também está de novo activo ao telefone com uns e com outros. Isto tudo, apesar de se saber que as reservas globais de crude existentes nas maiores potências económicas, desde logo as dos EUA, estão e níveis críticos, passando de mais de 420 milhões de barris ainda em Janeiro deste ano para os actuais menos de 340 milhões de barris, o valor mais baixo desde 1983. Também a China, que, segundo a Agência Internacional de Energia, possuía mais de 1,4 mil milhões de barris em stocks estratégicos, tendo estas descido para os actuais cerca de 1,2 mil milhões, apenas porque o gigante asiático deixou de ir aos mercados comprar crude normalmente, não fazendo, como os Estados Unidos, despejos nos mercados como forma de controlar preços. Nos EUA, Donald Trump e os seus secretários de Estado, Marco Rubio, e do Tesouro, Scott Bessent, estão, nas últimas horas, a apostar as fichas todas na ideia de que Ormuz estará reaberto até ao final desta quarta-feira, 05. Ver-se-á como vão reagir os mercados se assim não suceder, porque se há uma coisa que se sabe bem nos corredores de Washington é que o Irão já não teme as ameaças de Donald Trump e que não vai abdicar de manter o controlo desta passagem estratégica, bem como reivindicar o regresso das suas verbas congeladas no exterior, além de que pretende garantias de que não volta a ser atacado de forma traiçoeira por Israel e EUA. Além do mais, Teerão já fez saber, até porque isso está no Memorando de Entendimento assinado com Trump a 15 de Junho, que esse tipo de garantia só é possível com a saída das forças norte-americanas da região. Estará Washington disponível para aceitar esta envergadura de exigências dos iranianos? Provavelmente, sim, devido ao aproximar das eleições intercalares de Novembro e também face à forte probabilidade, assente em quase todas as sondagens, de o Partido Republicano, de Donald Trump, perder a maioria no Congresso. Se tal suceder, o Presidente tem pela frente a garantia de ser assolado por processos de destituição, como a oposição democrata já avisou que fará, com base, entre outras razões, nos Ficheiros Epstein, o maior escândalo de pedofilia de sempre, onde o seu nome aparece abundantemente, e porque não cumpriu a regra constitucional de informar o Congresso antes de lançar esta guerra contra o Irão. Angola soma ganhos, mas.. O actual cenário internacional tende claramente a manter os preços acima do valor estimado pelo Governo angolano para o OGE 2026, 61 USD, que compara ainda com os actuais 80, 5 USD, no caso do Brent, cerca de 20 USD acima desse valor. Angola é, por isso, um dos países mais atentos a estas oscilações devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial. Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo. O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023, actualmente abaixo de 1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo. O aumento da produção nacional, cujo potencial cresceu significativamente já este ano com o anúncio da TotalEnergies de uma grande descoberta com potencial de 500 mb, não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país. Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente â beira de 1 milhão de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008. Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país. A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.

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