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Petróleo: Os mercados estão entre o júbilo dos ganhos e o receio das consequências das guerras, o barril aproveita para somar ganhos erxtraodinários
É que não são apenas os 19,04 que o barril de Brent ganhou só neste mês de Setembro que apontam para o verde devido ao embrutecimento do conflito no Golfo Pérsico que os EUA e Israel começaram contra o Irão, também os dados anuais alinham por esse diapasão de análise.
É que a subida de 58,12% no valor do barril de Brent, que é a referência principal para as ramas exportadas por Angola, desde o início do ano acontece motorizada pela mesma guerra, que começou a 28 de Fevereiro e já dura, com intermitências, há quase 7 meses.
Todavia, hoje, apesar de um evidente agravamento nas condições que permitem o fluxo normal de crude para a economia global, o Brent resvalou ligeiramente da fasquia dos 106 USD para, perto das 09:00, hora de Luanda, os 105,7 USD, depois de ter atingido um pico recorde de 4 meses de 106,7 USD, mas os mercados vêm nisso uma mera correcção técnica ligeira.
É que, seja pela aposta agora clara dos norte-americanos "caçarem" o maior número possível de petroleiros iranianos ou pelo extraordinário e inesperado avanço dos guerrilheiros da AnsarAllah (Houthis) do Iémen sobre as posições estatais apoiadas pela Arábia Saudita, os sinais não podiam ser mais ameaçadores para a normalização dos mercados.
É que, com Ormuz fechado pelo Irão e com, agora, a AnsarAllah, que tem o apoio de Teerão, a tomar de assalto toda a costa do Mar Vermelho iemenita que ainda estava na posse das forças estatais suportadas pelos sauditas, também o Estreito de Bab al-Mandeb está agora â mercê das forças apoiadas pelos iranianos.
E se por Ormuz passam, em tempo de paz, 20% do petróleo e do gás (LNG), além de outras matérias-primas como compostos para fertilizantes ou alumínio, por Bab el-Mandeb passa cerca de 15% do comércio geral global, além dos perto de 5 milhões de barris de crude que a Arábia Saudita faz chegar à costa do Mar vermelho através do oleoduto de 1200 kms que atravessa o país desde o Golfo Pérsico.
Sendo por esta estreita passagem que o Oceano Índico se liga ao Canal do Suez, a sua importância estratégica é evidente, mas era-o ainda mais devido ao fecho de Ormuz pelos iranianos porque Riade conseguia, até agora, fazer chegar à economia global perto de metade da sua produção normal, que é de cerca de 12 milhões de barris por dia.
Com o reatar abrasivo do conflito entre Houthis e as forças iemenitas apoiadas pelos sauditas, que já se prolonga há uma década, tendo sido alvo de um cessar-fogo intermitente ao longo dos anos, e o Golfo Pérsico em "chamas", com cada vez mais petroleiros, iranianos ou dos aliados dos EUA, a arder, não é apenas o crude e o gás que estão em causa, é todo o comércio marítimo global, que pode, de um dia para o outro, ficar sem duas estreitas mas cruciais passagens marítimas.
E agora, como se pode ler nos media internacionais, mas com os especializados no sector energético a focar mais esse assunto, o Presidente dos EUA está a ser confrontado por elementos da sua Administração para o risco de esta situação se prolongar até ao fim do seu mandato, em 2029.
Se isso se vier a confirmar, até porque nem o Irão nem a AnsarAllah parecem dar sinais de poderem ceder nos confrontos em curso, então à questão do estrangulamento na cadeia comercial dos combustíveis, gasóleo e gasolina ou jet-fuel, somar-se-á a escassez de crude bruto.
É que, actualmente, a redução de barris nos mercados está a ter escasso impacto porque as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia visam especialmente as refinarias russas, sauditas, e dos outros países do Golfo Pérsico, o que limita a capacidade global de refinação e, como se sabe, o petróleo bruto não tem em si aproveitamento, a não ser como reserva estratégica.
Mas, com a nova realidade em Ormuz e em Bab al-Mandeb, esse cenário de raro equilíbrio gerado pela redução da capacidade de refinação global ao mesmo tempo que decrescia nos mercados a oferta de crude, pode explodir porque mesmo com menos refinarias activas, o petróleo em bruto pode começar a ser escasso no breve prazo.
Por exemplo, actualmente o barril, seja o Brent, seja o WTI, subiu em média, perto de 60%, desde Janeiro deste ano, mas o gasóleo, cuja medida mais comum nas transacções internacionais é a tonelada métrica, subiu mais de 140%, de perto de 590 USD para mais de 1500 USD.
O que os analistas entendem é que com uma acentuada escassez de crude em resultado do atrofiamento em Ormuz e Bab al-Mandeb, estes valores poderão aproximar-se e isso significa que o barril de crude pode revistar os valores recorde de 2008, quando atingiu, em Junho desse ano, os 147 USD, no caso do Brent.
Angola soma ganhos...
O actual cenário internacional tende claramente a manter os preços acima do valor estimado pelo Governo angolano para o OGE 2026, 61 USD, que compara com os actuais 105 USD, no caso do Brent, cerca de 45 USD acima desse valor.
Angola é, por isso, um dos países mais atentos a estas oscilações devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial.
Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo.
O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023, actualmente abaixo de 1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo.
O aumento da produção nacional, cujo potencial cresceu significativamente já este ano com o anúncio da TotalEnergies de uma grande descoberta com potencial de 500 mb, não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país.
Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente â beira de 1 milhão de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008.
Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.
A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.
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