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Petróleo: Os mercados deixaram de acreditar na palavra de Trump e a incerteza ganha força sobre o desfecho do conflito no Médio Oriente
Só que entre estas duas notícias daquela que é a maior, ou uma das maiores agências de pendor económico no mundo, fica o Estreito de Ormuz, por onde não passam os gigantescos petroleiros que levam 20% do crude mundial do Golfo Pérsico para o mundo, nem a verdade o atravessa com medo de que o Presidente dos EUA volte a baralhar e dar de novo.
Há dois dias, Trump falou e o barril de Brent caiu a pique, de 114 USD para menos de 100 USD, hoje Trump voltou a falar, dizendo praticamente a mesma coisa, e o barril descolou de novo, em alta, dos 100 dólares. Mas a notícias da Reuters diz no título que a guerra vai continuar! É verdade.
Só que uma e outra foram escritas em declarações quase iguais do Presidente dos EUA, sendo que a agência britânica enfatizou, na primeira, a guerra vai acabar em breve, e na segunda, que o conflito vai continuar. Mas a ideia que lhes dá corpo é a mesma, acabar rapidamente com a guerra mas antes disso, nas próximas três semanas, bombardear o Irão até o país "regressar á idade da pedra".
A única coisa que mudou foi que os mercados, e a Reuters, deixaram de ler "em breve" nas palavras de Donald Trump de forma diferente, porque em breve, e nisso o inquilino da Casa Branca está certo, "em breve" é uma das expressões de mais difícil hermenêutica. É quando "o" homem quiser.
E Donald Trump parece não saber o que quer, ou sabe-o muito bem. Por exemplo, alguns analistas estão a admitir que esta subida do barril quando Trump diz que a guerra vai acabar "em breve", admitem que pode estar a ,aproveitar os três dias de fecho dos mercados, aproveitando a sexta-feira Santa da Páscoa, para fazer uma incursão terrestre na sua "pequena viagem ao Irão", como lhe chamou no seu discurso à Nação já na madrugada desta quinta-feira, hora de Luanda.
E se as forças que estão há semanas a ser deslocadas para o Médio Oriente, milhares de homens das unidades de elite (ver aqui) e infantaria, cujos números vão de 10 mil a 25 mil, dependendo das fontes, aterrarem, finalmente, no Irão, para uma operação, mesmo que limitada, em locais estratégicos, como o Estreito de Ormuz, o barril, se os mercados estiverem abertos, pode saltar em minutos para lá dos 150 USD.
Mas se estiverem fechados, como vão estar até 06 de Abril, mesmo que este cenário aconteça - o facto de Trump estar a desafiar os aliados europeus a irem ocupar Ormuz, mostrando que ele não o quer fazer, pode ser uma manobra de deceção -, em três dias, o efeito será diluído e na segunda-feira próxima, mesmo que ocorra uma subida, será, naturalmente, menos intempestiva.
A razão para Donald Trump precisar muito, mesmo que repita que precisa pouco, de ter o Estreito de Ormuz aberto à navegação comercial global, é porque a economia americana, mesmo que seja pouco afectada no acesso à energia, por serem os EUA grandes, os maiores do mundo, produtores de crude e de gás, os efeitos na economia estão a ser devastadores, e com o aproximar do verão e das grandes deslocações internas de férias, esmaga ainda mais a popularidade de Donald Trump e do seu Partido Republicano.
Mas há mais: pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, passam ainda parcelas estrategicamente vitais de fertilizantes agrícolas e hélio, essencial para a indústria 2.0 dos chips, com efeitos já visíveis em todo o mundo, e com ameaça de vir a ser decisivo nas eleições intercalares dos EUA em Novembro, onde Trump pode perder as maiores no Senado e na Câmara dos Representantes, no Congresso.
Tal cenário seria aterrador para o Presidente, não apenas porque estaria condenado a governar em minoria ao longo de dois anos do seu derradeiro mandato, como estaria nas mãos da oposição em eventuais processos de destituição (impeachment), com os Ficheiros Epstein a perna, sendo como é o seu nome dos mais citados neste que é o maior escândalo de pedofilia em todo o mundo.
E é este o cenário em que o barril de Brent, o que serve de referência maior para as ramas exportadas por Angola, estava esta quinta-feira, 02, perto das 15:00, hora de Luanda, a valer 109 USD, uma subida de mais de 7% face ao fecho anterior, reflectindo claramente a incerteza quanto ao desfecho do conflito no Médio Oriente.
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