Voltar ao Início
Petróleo: Foi com alívio que os mercados mergulharam para baixo dos 100 USD – Economia mundial tem duas semanas para se "alimentar sem restrições"

Petróleo: Foi com alívio que os mercados mergulharam para baixo dos 100 USD – Economia mundial tem duas semanas para se "alimentar sem restrições"

A generalidade das notícias nos media especializados no sector energético destaca a queda acentuada no preço do barril e do LNG, sublinha a abertura do Estreito de Ormuz, algumas focam ainda que a passagem por aquela ligação será feita sob pagamento de uma "portagem". Menos alvo de interesse está a ser, nesta manhã de quarta-feira, 08, quando se soube em pleno do recuo de Donald Trump na sua decisão de "matar a civilização" iraniana em quatro horas, a possibilidade de se estar perante uma situação de curto prazo e escassa solidez. É que, como todos, ou quase todos os analistas, apontam desde que o sol nasceu no quadrante ocidental, onde os efeitos do afunilamento da energia do Golfo Pérsico começavam a fazer vítimas políticas em catadupa, há problemas para onde não se está a olhar com a atenção que merecem. O maior de todos é que oplano de 10 pontos iraniano que Trump aceitoupara começar as negociações com o Irão já na sexta-feira, no Paquistão, é "impossível, ou quase, de ser aceitável para Washington", e muito menos ainda para Telavive, de onde já chegou a informação "explosiva" de que Israel não vai parar a sua guerra no sul do Líbano. E ainda que duas semanas é um período escasso, demasiado curto, para que o abastecimento à economia global seja minimamente normalizado, não apenas devido ao congestionamento de petroleiros no Golfo Pérsico, mas essencialmente porque os danos na infra-estrutura energética dos petroEstados da região precisam de muito mais tempo que isso para serem reparados. Ainda assim, este parece ser um período de acalmia evidente, com o Brent, a referência maior para as ramas exportadas por Angola, a mergulhar para os 93 USD, da prancha situada nos 108 USD, enquanto o WTI de Nova Iorque passou para os 94 USD quando estava a bater nos 115 USD. O barril de Brent, com precisão, estava, perto das 11:20 desta quarta-feira, 08, hora de Luanda, a valer 94,13 USD, uma perda de 13, 86% face ao fecho de terça-feira, enquanto o WTI, referência substantiva para a economia norte-americana, valia à mesma hora 94,49 USD, com uma quebra mais acentuada, de 16,3 %. Até ver, como todos os países exportadores e com economias petrodependentes, Angola está numa natural expectativa para ver como correm estas duas semanas... Angola soma ganhos, mas... O actual cenário internacional tende ainda a manter os preços acima do valor estimado pelo Governo angolano para o OGE 2026, que contempla um ajustamento em baixa deste valor, 61 USD, em relação aos 70 USD de 2025, que compara ainda com os actuais 93 USD, perto de 32 USD acima do OGE do ano corrente. O que pode ser uma faca de dois gumes, porque se o país obtém mais rendimentos deste sector, é igualmente verdade que, enquanto grande importador, especialmente de bens alimentares e refinados do petróleo, esse impacto vai ser fortemente sentido nas contas nacionais de forma igual aos restantes com as mesmas características e perfil económico. Angola é, por isso, um dos países mais atentos a estas oscilações devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial. Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo. O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023, actualmente abaixo de 1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo. O aumento da produção nacional, cujo potencial cresceu significativamente já este ano com o anúncio da TotalEnergies de uma grande descoberta com potencial de 500 mb, não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país. Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente â beira de 1 milhão de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008. Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país. A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.

Gostou deste artigo?

Partilhe com os seus amigos ou explore mais funcionalidades do Falanga.

Descarregar App Falanga