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Petróleo: Barril volta a furar a barreira dos 100 USD
Esta nova escalada no valor do petróleo nos mercados internacionais, que permitiu furar a barreira psicológica dos 100 USD no caso do Brent, acontece numa sequência de subidas que já vai para a segunda semana e que tem em pano de fundo um acordo entre Irão e Omã para a gestão do estratégico canal que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e ao mundo.
Nesse acordo Irão/Omã, os dois países que confinam com Ormuz, está englobada a gestão do Estreito de Ormuz, e toda a navegação comercial que o usa, desde logo os relevantes superpetroleiros que alimental de crude a economia mundial.
E se o controlo de Ormuz pode ser um problema para a economia mundial, a sua consolidação como domínio iraniano e omanita é seguramente um problema para Donald Trump, que tem apostado o seu prestígio e da Marinha norte-americana em impedir que esse cenário aconteça.
Para já sabe-se que os norte-americanos atacaram três petroleiros iranianos nas últimas 48 horas, afundando um deles, e os iranianos fizeram o mesmo com outros três petroleiros ligados a aliados dos EUA, além de terem disparado um míssil totalmente novo como aviso contra o porta-aviões que Washington tem na região.
Este é o cenário que levou na passada semana o barril de crude a subir quase 10%, e se esta semana, como tudo indica, se repetir esse cenário, o barril der Brent vai disparar para os 110 USD até à próxima sexta-feira, 11.
Ou ainda mais que isso se, como alguns analistas começam a admitir, a troca de fogo entre iranianos e norte-americanos levar a uma escalada que provoque a disrupção da matéria-prima extraída no Golfo Pérsico nos mercados globais.
Região que está de novo a arder, por vezes literalmente devido ao petróleo derramado pelos petroleiros atacados, com o barril de crude a instalar-se de novo na "casa" dos 100 USD...
Por volta das 09:50, hora de Luanda, o barril de Brent estava a valer 99,4 USD, depois de ter tocado ao de leve nos 100 USD, uma subida de mais de 2,1%, o que surge em coerência com o que se viu nos últimos 10 dias, sendo que actualmente existe uma percepção quase generalizada de que esta escalada pode não ter um fim visível no horizonte das possibilidades.
Semana novamente "quente"
Depois de uma semana de ganhos escaldantes, a primeira do mês de Setembro, com o Brent a subir mais de 9%, esta que agora começa tem tudo para repetir o ritmo de subidas, até porque o petróleo continua a ser derramado pelo fogo das armas no Golfo Pérsico.
E por detrás desta mexida nos gráficos dos mercados internacionais de energia está o receio, mais que justificado, de que a escalada das tensões entre Washington e Teerão possa levar este "jogo" perigoso para uma catástrofe económica global.
E isso, a acontecer, será em concordância com o acentuar das disrupções no fornecimento de crude extraído na região que precisa de passar pelo Estreito de Ormuz de forma a alimentar a economia planetária, e de Ormuz, parece que nem Irão nem EUA abrem mão.
Por aquela estreita passagem marítima passavam antes da guerra, começada pela coligação israelo-americana a 28 de Fevereiro, 20% do petróleo e do gás (LNG) globais, e hoje, segundo ao dados mais fiáveis do sites que recolhem esse tipo de informação, pouco mais de 20%, embora algumas perspectivas apontem para bastante menos...
A última escalada nesta subida vigorosa do valor do barril foi motivada pelo ataque da Marinha dos EUA a três petroleiros iranianos, levando Teerão a responder com ataques a outros tantos petroleiros ligados aos EUA e ainda contra navios de guerra norte-americanos.
A resposta iraniana apareceu ainda com o anúncio de uma nova área de restrição à navegação no Estreito de Ormuz e para fora deste canal, ao mesmo tempo que ameaça disparar de novo contra os navios de guerra que os EUA têm na região, especialmente no Golfo de Omã
Perante este cenário em brasa, o barril de Brent, a referência principal para as exportações angolanas, estava a valer, perto das 12:45, hora de Luanda, 97,55 USD, mais cerca de 1,3% que no fecho da sessão da passada sexta-feira, 04, no fim de uma semana de ganhos extraordinários de perto de 9%.
Para piorar este contexto, a OPEP+, a organização que reúne perto de 40% da produção mundial, liderada por Rússia e Arábia Saudita, acaba de anunciar que Outubro marcará o fim dos aumentos da produção que têm vindo a ser realizados mensalmente desde o início do ano.
E tanto o presidente do Parlamento iraniano e chefe da delegação negocial de Teerão com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf , como o chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irão, Mohsen Rezaei, visto como a segunda figura do país no que toca à gestão da guerra, logo a seguir ao Supremo Líder, Mojtaba Khamenei, já vieram garantir que "o tempo das respostas simétricas acabou".
Com isto, o Irão está a informar os EUA que a partir de agora, cada ataque sofrido terá uma resposta assimétrica, que é o mesmo que dizer superior em potência e em geografias alargadas, colocando como alvos toda a infra-estrutura dos aliados dos EUA no Golfo Pérsico e áreas limítrofes.
O que pressupõe, como o Presidente Trump já avisou, que os EUA vão igualmente colocar o pé no acelerador e este conflito tem agora tudo para não apenas ganhar intensidade como se prolongar indefinidamente no tempo.
Angola soma ganhos...
O actual cenário internacional tende claramente a manter os preços acima do valor estimado pelo Governo angolano para o OGE 2026, 61 USD, que compara com os actuais 99 USD, no caso do Brent, cerca de 38 USD acima desse valor.
Angola é, por isso, um dos países mais atentos a estas oscilações devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial.
Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo.
O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023, actualmente abaixo de 1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo.
O aumento da produção nacional, cujo potencial cresceu significativamente já este ano com o anúncio da TotalEnergies de uma grande descoberta com potencial de 500 mb, não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país.
Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente â beira de 1 milhão de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008.
Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.
A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.
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