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Petróleo: Barril de Brent acaba semana a subir e "braseiro" do Golfo Pérsico pode fazer os gráficos dos mercados "explodir"
Uma das razões para que este risco esteja a ganhar tracção entre os media internacionais e a inundar as redes sociais com a iminência de novos ataques é que os Estados Unidos estão a concentrar meios militares, navais e aéreos, numa dimensão só vista em 2003, na invasão do Iraque.
Para a região foram enviados três esquadras de porta-aviões, o USS George Washington, o USS George H.W. Bush e o USS Theodore Roosevelt, cada um deles acompanhado de dezenas de navios de guerra de superfície e submarinos.
Além disso, os EUA estão há duas semanas a reforçar a sua frota de aviões-cisterna na região, especialmente nas bases em Israel, que servem, como no passado, para reabastecer os "caças" que não possuem autonomia de voo entre o território israelita e o Irão.
Se este ataque, como muitos analistas já encaram como estando em marcha, acontecer, o Irão já avisou que entrará em modo de resposta assimétrica, não disparando os seus mísseis balísticos hipersónicos contra as bases de origem dos ataques mas ainda sobre a indústria energéticos dos aliados de Washington e de Telavive na região, que são todos os petroEstados do Golfo Pérsico.
Neste momento, como sucede há duas semanas, o Irão voltou a pressionar os petroleiros que procuram atravessar o Estreito de Ormuz, havendo notícias de pelo menos uma dezena de ataques bem sucedidos com drones e mísseis iranianos, havendo ameaças directas de Teerão sobre o aumento deste tipo de ataques...
Se esse cenário acontecer, a crise nos mercados de petróleo e do gás, que já são enormes, podem atingir níveis que não são vistos há décadas.
E esta é a razão pela qual o barril de Brent estava esta manhã a valer 106.4 USD, uma subida ligeira de 0,5 %, perto das 12:45, hora de Luanda, mostrando o gráfico uma subida constante nos últimos dias, em consonância com a crescente efervescência dos ânimos no Golfo Pérsico.
Angola soma ganhos...
O actual cenário internacional tende claramente a manter os preços acima do valor estimado pelo Governo angolano para o OGE 2026, 61 USD, que compara com os actuais 106 USD, no caso do Brent, cerca de 45 USD acima desse valor.
Angola é, por isso, um dos países mais atentos a estas oscilações devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial.
Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo.
O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023, actualmente abaixo de 1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo.
O aumento da produção nacional, cujo potencial cresceu significativamente já este ano, não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país.
Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente â beira de 1 milhão de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008
Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.
A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.
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