Voltar ao Início
Petróleo: Barril a 200 USD ao virar da esquina das probabilidades – Estreito de Ormuz estreita acesso de crude aos mercados e isso é um desastre que não pode alongar-se

Petróleo: Barril a 200 USD ao virar da esquina das probabilidades – Estreito de Ormuz estreita acesso de crude aos mercados e isso é um desastre que não pode alongar-se

E quando tantos especialistas apontam no mesmo sentido para mostrar a direcção da subida do petróleo alimentada pelo conflito no Médio Oriente começada pela coligação israelo-americana, o mais certo é ser esse o caminho em que o mundo está. E está mesmo, porque o Presidente Donald Trump, cuja carreira política, como todos os analistas independentes admitem, depende do comportamento da economia dos EUA, até já ameaçou os seus aliados da NATO se não o ajudarem a resolver o problema. O que passa por obrigar militarmente o Irão a deixar passar os petroleiros que carregam o crude do Golfo Pérsico para o mundo pelo Estreito de Ormuz, local que o Irão controla militarmente, e por onde se escoa 20% do petróleo e do LNG queimado pela economia global. Para já, os países da NATO recusaram publicamente, no que é um confronto inédito com Washington, ajudar o Presidente norte-americano a abrir o Estreito alegando que não é a sua guerra, alargando assim o calendário da escassez de energia nos quatro cantos do mundo. O que transforma o Estreito de Ormuz no "calcanhar de Aquiles" da poderosa coligação israelo-americana, duas potências nucleares que controlar cerca de 600 ogivas, que estão prestes a sucumbir ao "pequeno" Irão que usa a economia como antidoto eficaz para vergar o aparentemente mais forte "Aquiles". Actualmente, perto das 14:20, hora de Luanda, desta terça-feira, 17, 18º dia de guerra, o barril de Brent estava a valer 102,2 USD, cerca de 2% mais que no fecho de segunda-feira, dia em que perdeu quase 4% depois de Trump dizer que estava a criar uma coligação internacional para vergar o Irão no Estreito de Ormuz. A subida de hoje é resultado directo da percepção que se impôs nos mercados sobre a incapacidade de Donald Trump garantir a abertura deste pequeno canal de 33 kms (apenas 3 kms navegável para barcos de grande calado), que já antes tinha prometido enviar os seus navios de guerra para escoltar os petroleiros e depois recuou. O que deu a impressão de incapacidade dos poderosos EUA para resolver um problema criado por um país largamente inferior em termos militares como é o Irão, porque, ainda por cima, o Estreito de Ormuz nem sequer está fisicamente encerrado, está-o apenas pela ameaça de fogo... E o caminho para os 200 USD por barril de Brent, ou no WTI de Nova Iorque, cuja subida tem sido igualmente vertiginosa, é desenhado no mapa da economia global pelo analista da Reuters, Ron Bousso, na perspectiva de que sem acesso livre naquela estreita passagem entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico... ... que representa uma perda de 20 milhões de barris por dia, dos cerca de 100 mbpd consumidos, rapidamente o efeito nos mercados será catastrófico porque por muito menos perdas, em crises anteriores, o barril chegou a triplicar o seu valor, como sucedeu em 1973 ou 1979 (ver aqui). Bousso diz que os mercados deram o benefício da dúvida a Trump, devido à histórica capacidade dos EUA em estabelecerem acordos com base no que podem oferecer aos outros países, estando, porém, agora a reverter-se esse quadro com crescentes dúvidas de que tal possa acontecer rapidamente. Este analista sugere ainda que o caminho para os 200 USD até já está meio andado porque o barril de crude que sai do Golfo Pérsico para o mundo através de outra saída que não Ormuz, está a ser vendido com um prémio (acima do valor de mercado) de 51 USD, o que faz com que se perceba facilmente que o valor real é hoje esse, quase mais 50 USD que os 103 USD oficiais. Outra razão para que o barril esteja a ser transaccionado muito abaixo do seu valor de mercado efectivo é que a Agência Internacional de Energia (AIE) está a libertar no mercado por estes dias 400 milhões de barris das reservas estratégicas das grandes economias, de forma a aligeirar preços e almofadar o impacto da... realidade. Além disso, como adverte o site TradingEconomics, esta situação pode inflamar ainda mais o contexto mundial se o Irão, cujas razões podem ser a intensidade dos ataques da coligação israelo-americana, passar a atacar as grandes infra-estruturas energéticas dos países do Golfo... O que resultaria numa mudança ruidosa de perspectiva de um conflito e um problema mais ou menos passageiro, para um imbróglio insolúvel por largos meses, senão anos, para retomar a normalidade pré-conflito. Isto, quando, ao fim de 18 dias de guerra, os consumidores na Europa e nos EUA, entre outras geografias, começam a sentir na carteira os efeitos da escassez de crude nos mercados que está na origem do aumento dos preços nos bens de consumo quase todos, afectando especialmente os alimentos e os combustíveis... Com efeito, à medida que os preços dos alimentos e dos combustíveis sobem, os efeitos agudizam-se na medida em que os Governos são crescentemente pressionados para agir e esse nervoso é absorvido pela "pele" dos mercados com efeitos que não podem ser facilmente antecipados... mas têm tudo para ser catastróficos.

Gostou deste artigo?

Partilhe com os seus amigos ou explore mais funcionalidades do Falanga.

Descarregar App Falanga