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OPEP+ anuncia aumento da produção de petróleo
Os países da OPEP+ anunciaram ter planos para aumentar a produção de petróleo, numa altura em que os mercados energéticos começam a dar sinais cautelosos de recuperação após o impacto da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
A OPEP+ informou, esta semana, que sete dos seus membros — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — irão aumentar a produção em 188 mil barris por dia a partir de Agosto. A decisão foi tomada durante uma reunião virtual destinada a avaliar “as condições e as perspectivas do mercado global”.
A OPEP+, que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e produtores aliados, incluindo a Rússia, o Bahrein e Omã, tinha reduzido a produção em Abril e Novembro de 2023, na sequência de uma série de colapsos bancários que provocaram uma forte venda de petróleo e de outras matérias-primas.
Num comunicado, a organização afirmou que os países membros “continuarão a monitorizar e a avaliar de perto as condições do mercado”, reiterando a importância de manter “uma abordagem cautelosa e total flexibilidade para aumentar, suspender ou reverter a eliminação gradual dos cortes voluntários na produção”.
Os ministros voltarão a reunir-se no dia 2 de Agosto para reavaliar a situação.
Preços regressam aos níveis anteriores à guerra
Depois de terem ultrapassado brevemente os 126 dólares por barril em Abril, os preços do petróleo Brent recuaram para níveis próximos dos registados antes do conflito, impulsionados pelas expectativas de um fim duradouro da guerra com o Irão e pela normalização gradual da navegação no Estreito de Ormuz.
O tráfego marítimo na passagem estratégica aumentou desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram, a 17 de Junho, um memorando de entendimento para pôr termo ao conflito. Ainda assim, o movimento continua muito abaixo dos níveis anteriores à guerra.
Segundo a plataforma de monitorização MarineTraffic, registaram-se 38 travessias no estreito a 2 de Julho, contra 48 no dia anterior e cerca de 130 travessias diárias antes do conflito.
Na segunda-feira, os contratos futuros do Brent para entrega em Setembro eram negociados em torno de 72 dólares por barril, abaixo dos 72,48 dólares registados a 27 de fevereiro, véspera dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
Produção continua limitada
O encerramento efectivo do Estreito de Ormuz pelo Irão — por onde transitava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo antes da guerra — obrigou os países da OPEP+ a reduzirem drasticamente a produção, devido à acumulação de petróleo sem possibilidade de exportação e ao esgotamento da capacidade de armazenamento na região.
Segundo dados da própria OPEP, a produção total do grupo caiu para 33,13 milhões de barris por dia em Maio, face aos 42,77 milhões de barris por dia registados em Fevereiro.
Fabien Yip, analista de mercados da IG, em Sydney, considera que o aumento da produção anunciado pela OPEP+ representa sobretudo uma “formalidade no papel”, uma vez que a oferta continua condicionada pelas consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz.
“O volume efetivamente produzido tem estado muito abaixo das quotas durante vários meses devido ao bloqueio. Essa restrição está agora a diminuir, contribuindo para a descida dos preços”, afirmou.
Segundo Yip, a Arábia Saudita mais do que duplicou o volume de petróleo expedido desde 17 de junho, em comparação com os três meses anteriores, enquanto o Irão conseguiu colocar perto de 50 milhões de barris no mercado após o levantamento do bloqueio naval.
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