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ONU lança rede de sustentabilidade empresarial em Angola a pensar na era pós-petróleo

ONU lança rede de sustentabilidade empresarial em Angola a pensar na era pós-petróleo

O Pacto Global das Nações Unidas acaba de lançar oficialmente a sua rede em Angola, numa aposta que vai além do simbolismo institucional. A iniciativa chega num momento em que Luanda procura, com urgência crescente, diversificar uma economia ainda demasiado dependente do petróleo — e em que a atracção de investimento responsável se tornou uma prioridade estratégica para o governo de João Lourenço. A nova estrutura, denominada Rede do Pacto Global das Nações Unidas em Angola, funcionará como plataforma de ligação entre empresas angolanas e a maior iniciativa mundial de sustentabilidade corporativa, oferecendo ferramentas, parcerias e orientações alinhadas com os Dez Princípios do Pacto Global e com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. O foco declarado é apoiar organizações angolanas na adopção de padrões internacionais de sustentabilidade, transparência e boa governação. “No limiar de uma nova era” A CEO e Subsecretária-Geral do Pacto Global da ONU, Sanda Ojiambo, foi directa na mensagem: Angola “está no limiar de uma nova era”, e a adopção de práticas empresariais responsáveis será determinante para fortalecer a competitividade do país a longo prazo. É uma formulação diplomática, mas carrega um subtexto claro — o modelo assente na exportação de petróleo bruto tem prazo de validade, e o relógio está a contar. A directora executiva da rede em Angola, Eliana Pereira dos Santos, definiu o foco imediato: ajudar as empresas a passar “do compromisso para a implementação”. A sustentabilidade, sublinhou, tem de entrar nas estratégias centrais de negócio — não ficar pelo relatório anual ou pela declaração de intenções. A escolha de Angola não é casual. Com um PIB superior a 100 mil milhões de dólares e uma população jovem em rápido crescimento, o país é visto pelo Pacto Global como um mercado estratégico para o avanço de modelos de negócio sustentáveis — em particular nos sectores da energia, mineração, agricultura, finanças e serviços. São precisamente os sectores onde Angola tem maior potencial de diversificação e onde o investimento estrangeiro mais olha para critérios de governação e sustentabilidade antes de entrar. Entre as prioridades imediatas da rede estão a adesão de empresas, a criação de estruturas de governação e o lançamento de iniciativas alinhadas com as prioridades nacionais. Mas há uma dimensão que merece atenção: a aposta na cooperação entre países lusófonos, através de parcerias com as redes do Brasil, Portugal e Moçambique. É uma forma de Angola entrar numa rede já existente de partilha de experiências e boas práticas, sem ter de construir tudo do zero. O teste está na implementação O lançamento de uma rede desta natureza é, por definição, um começo — não um resultado. Angola já assinou compromissos internacionais, já aprovou legislação sobre transparência e boa governação, já atraiu atenção de organizações multilaterais. O que historicamente tem falhado é a distância entre o anúncio e a prática. A própria directora executiva da rede reconheceu-o implicitamente ao colocar a transição “do compromisso para a implementação” no topo da agenda. Se a Rede do Pacto Global conseguir encurtar essa distância — nas empresas, nos sectores estratégicos, na cultura de governação — terá feito algo que vai muito além de mais uma estrutura internacional instalada em Luanda.

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