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Omatapalo assume gestão de hotéis apreendidos a Carlos São Vicente no Soyo

Omatapalo assume gestão de hotéis apreendidos a Carlos São Vicente no Soyo

A informação é avançada num comunicado da empresa OnTour, uma subsidiária do grupo Omatapalo. "O acordo foi formalizado no dia 11 de Março de 2026, quando a OnTour, Lda., subsidiária do grupo Omatapalo, assinou com o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) um contrato de cessão do direito de exploração e gestão, com opção de compra, no âmbito do processo de privatização destas infra-estruturas", avança o comunicado parrtilhado pelo grupo ns redes sociais. O contrato tem a duração de 12 anos e diz respeito ao Hotel Bina e três unidades IU Hotel Soyo Torres A, IU Hotel Soyo Torres B e IU Hotel Soyo Torres C. Segundo o documento, o plano prevê investimentos na manutenção, reabilitação e modernização das unidades. De recordar que em 2024 o Presidente da República ordenou a privatização, por via de concurso limitado por prévia qualificação, nas modalidades de cessão do direito de exploração, gestão e alienação de activos, de oito das unidades hoteleiras da rede IU, localizadas no Soyo, Caxito, Saurimo e Uíge; A transferência de 15 unidades hoteleiras para o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado foi, segundo o documento consultado pelo Novo Jornal, devido à necessidade de encontrar parcerias com entidades públicas ou privadas com vista à conclusão das obras, eventual reconversão da finalidade e comercialização ou cessão. Fazem parte deste lote hotéis no Caxito, Luena, Malanje, M'Banza Congo, N'Dalatando, Ondjiva, Soyo, Uíge, Lobito e Santa Clara; E a entrega ao Instituto de Fomento Turístico (INFOTUR) de 12 hotéis da rede IU, IKA e BINA, no Lubango, Talatona, Cacuaco, Cuito, Huambo, Luena, M'Banza Congo, N'Dalatando, Sumbe, Viana. No despacho lia-se que a transferência destas unidades hoteleiras deveria salvaguardar a manutenção dos postos de trabalhos existentes. Estes 39 hotéis foram apreendidos a Carlos São Vicente em 2020 com a justificação de que estes bens foram adquiridos com verbas desviadas do erário público. O antigo homem forte da seguradora AAA e da AAA Activos, condenado em Março de 2022 pelo Tribunal de Luanda a nove anos de cadeia efectiva pelos crimes de peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Segundo o despacho que levou à prisão do empresário luso-angolano, Carlos de São Vicente criou "um esquema ilegal" que lhe permitiu extrair à Sonangol mais de 900 milhões de dólares. O marido de Irene Neto, que entre 2000 e 2016 desempenhou, em simultâneo, as funções de director de gestão de riscos da Sonangol e de presidente do conselho de administração da companhia AAA Seguros, sociedade em que a petrolífera angolana era inicialmente única accionista, terá levado a cabo naquele período "um esquema de apropriação ilegal de participações sociais" da seguradora e de "rendimento e lucros produzidos pelo sistema" de seguros e resseguros no sector petrolífero em Angola, graças ao monopólio da companhia. Desta forma, Carlos São Vicente passou a ser o "detentor maioritário das participações nas AAA Seguros, com 89,89%, em detrimento da Sonangol, que viu as suas participações sociais drasticamente reduzidas em 10% [a 10%], num prejuízo estimado em mais de USD 900.000.000,00 [cerca de 763,6 milhões de euros ao câmbio actual]", não tendo a petrolífera "recebido qualquer benefício", em contrapartida, segundo o despacho de acusação. De acordo com o documento, o genro do primeiro Presidente da República angolano, Agostinho Neto, terá referido que as cedências de participação foram feitas "com base num acordo informal" entre ele, enquanto representante da AAA Seguros, e o então presidente do conselho de administração da Sonangol, e mais tarde vice-presidente de Angola, Manuel Vicente. O AAA, liderado por Carlos São Vicente, era um dos maiores grupos empresariais angolanos, operando na área de seguros e da hotelaria. Recorde-se que, como o Novo Jornal noticiou em 2020, foi devido a uma notícia divulgada nos media suíços que este caso começou a ganhar corpo, tornando-se um dos mais mediáticos nos últimos anos. O histórico do "caso 900 milhões", como ficou conhecido, pode ser revisitado nos links colocados em baixo, nesta página.

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