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Ministra das Pescas preocupada com "queda estrutural" na produção de sal e empresários aflitos por falta de mercado para milhares de toneladas - A dicotomia na abertura do 1º Fórum Nacional do sector
Esta dicotomia marcou a abertura do primeiro Fórum Nacional sobre o Sub-sector Salineiro "Salmar 2026", num acto em que o presidente da Associação dos Produtores de Sal (APROSAL), Totas Garrido, lamentou a existência de um "stock acumulado do ano transacto".
O Novo Jornal apurou, minutos depois do discurso de Garrido, que a retracção no mercado mantém armazenaras cerca de 100 mil toneladas pelo País.
Ao apontar para o que chama de indefinição do negócio, com o excesso da oferta a gerar o perigo de desinvestimento, o líder da APROSAL afirmou que o processo, para lá dos produtores, engloba também os transformadores, os transportadores e os armazenistas.
"Precisamos de mais de 11 milhões de embalagens por ano e 12 mil quilos de iodo a preço acessível", resumiu o salineiro, antes de ter assumido a necessidade, em nome de uma fiscalização efectiva, de uma rede de laboratórios.
Totas Garrido disse esperar que o Salmar, a decorrer até amanhã, seja uma etapa de viragem num segmento que deve colocar o produto em sectores económicos como a transformação do pescado, indústria petrolífera, agricultura, pecuária e no ramo da química.
Já a ministra Carmen do Sacramento Neto prevê uma viragem estratégica, oito anos após o fim das importações, e refere que as salinas devem apostar na mecanização, mas em obediência ao equilíbrio ambiental.
"Queremos mais empregos através de uma tecnologia de processamento industrial, aí os laboratórios poderão garantir um padrão capaz de facilitar a certificação internacional", frisou a governante.
De acordo com a ministra, o Fórum Nacional está, mais do que analisar a extracção de uma commodities, a desenhar uma visão sustentável."Não apenas para para o consumo humano ou animal, mas para outras áreas. O mundo contemporâneo olha para a economia verde, e esperamos também resultados na economia azul", sinalizou, pouco antes de ter visitado uma exposição com o sal grosso e fino.
Num palco com empresas das províncias de Benguela, Bengo e Luanda, a representante da AT 360 Indústria, Eugênia Cafuma, explicou que a sua unidade aguarda por políticas públicas que ajudem a simplificar o processo de importação do excedente.
Por seu turno, o Grupo Adérito Areias (GAA) prevê exportar para Portugal, no próximo mês, 20 toneladas, que passarão pelo seu próprio laboratório.
A sua representante, Tânia Areias, considera que os sectores químico e petrolífero em Angola devem absorver o sal em stock, uma vez que a exportação é complexa. "A certificação internacional é muito cara, e a maior parte das salinas não tem condições para apostar em laboratórios. Nós já exportámos para São Tomé porque temos o nosso próprio laboratório", ressaltou a empresária.
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