Voltar ao Início
Licenças de construção caem 47% e expõem fragilidade do sector imobiliário

Licenças de construção caem 47% e expõem fragilidade do sector imobiliário

A inflação, o aumento dos custos dos materiais e o crédito caro continuam a travar novos projectos. A quebra é transversal, mas mais acentuada na habitação, apesar do elevado défice habitacional. Especialistas apontam constrangimentos estruturais e falta de financiamento "barato" como principais bloqueios ao investimento. Trabalhadores de obras na construcção de um edíficio. A queda de 47% no número de licenças de construção em 2025 confirma o travão que se instalou no sector imobiliário angolano, reflectindo um ambiente económico adverso marcado por inflação elevada, perda de poder de compra e restrições no acesso ao crédito. Num ano em que foram aprovadas apenas 866 licenças, depois de um crescimento expressivo de 125% em 2024, o recuo não surge como uma simples correcção estatística, mas antes como um sinal de fragilidade estrutural do mercado. Os dados do Inquérito às Licenças Aprovadas para Construção de Edifícios (ILACE), do Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a quebra foi transversal à maioria dos segmentos, com destaque para a habitação, que perdeu 587 licenças face ao ano anterior, uma redução de 81%, embora continue a representar mais de 84% do total. Este comportamento revela um paradoxo: mesmo num país com um défice habitacional estimado em cerca de 2,2 milhões de famílias, a oferta formal continua a encolher, pressionada por constrangimentos financeiros e institucionais Outros segmentos reforçam este retrato de desaceleração. As licenças para parques de estacionamento caíram 75% (de 48 para 12), o comércio recuou 52% (menos 103 licenças), as igrejas registaram uma queda de 50% (de 32 para 16), enquanto as escolas privadas reduziram 38%, com apenas 11 autorizações emitidas. No caso das instalações desportivas, não foi atribuída qualquer licença em 2025, depois de oito no ano anterior, tornando-se o segmento com maior variação negativa em termos relativos. A explicação para esta travagem está ancorada em factores macroeconómicos que se têm vindo a agravar, leitura que é corroborada pelos operadores do sector. Para Cleber Corrêa, sócio-gerente da Proimóveis, "Angola está no momento com uma crise financeira muito grande, consubstanciada no baixo poder aquisitivo da população, inflação alta e com isso juros altos no crédito para compra de imóveis", factores que ajudam a explicar a retracção da actividade e o adiamento de novos projectos. A isto soma--se a relutância dos bancos em financiar o sector imobiliário, devido à fragilidade das garantias reais e à morosidade judicial, criando um bloqueio estrutural ao investimento privado. Do ponto de vista territorial, a distribuição das licenças evidencia igualmente a desaceleração. O Cuanza Sul, que lidera nos últimos três anos, registou uma queda de 48% (menos 241 licenças), apesar de continuar a beneficiar de projectos estruturantes como a requalificação do Sumbe e a construção da sua circular. O Zaire surge em segundo lugar, com 101 licenças, menos 82 do que em 2024 (-55%). No extremo oposto, Huambo (14 licenças), Benguela (15) e Cuando Cu bango (16) mantêm níveis residuais de actividade . Curiosamente, apesar da que da no número de licenças, Ben guela lidera em termos de área bruta licenciada, com 66.592 metros quadrados (26%), segui da de Malanje (240.780 m², 17%) e Luanda (156.594 m², 11%), o que sugere que os poucos projectos aprovados tendem a ser de maior dimensão ou concentração espacial. Leia o artigo integral na edição 870 do Expansão, quinta-feira, dia 02 de Abril de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

Gostou deste artigo?

Partilhe com os seus amigos ou explore mais funcionalidades do Falanga.

Descarregar App Falanga