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Katambi-2: ANPG confirma reservatórios de gás de boa qualidade no Bloco 24

Katambi-2: ANPG confirma reservatórios de gás de boa qualidade no Bloco 24

ANPG e Sonangol E&P anunciam o primeiro teste completo de fluxo alguma vez realizado num reservatório de gás não associado em Angola, com potencial para produzir mais de 100 milhões de pés cúbicos diários A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), concessionária petrolífera angolana, divulgou esta semana que as operações de perfuração e teste do poço de avaliação Katambi-2, no Bloco 24 da Bacia de Benguela, confirmaram a existência de reservatórios de gás de boa qualidade. O anúncio foi feito em comunicado conjunto pela ANPG, concessionária nacional, e pela Sonangol Exploração & Produção, operadora do Bloco 24, destacando que as operações de perfuração e teste foram concluídas em segurança e com sucesso. Na nota, foi especificado que o poço Katambi-2 foi perfurado a uma distância de 1,3 quilómetros do poço Katambi-1, atravessando dois intervalos produtivos, com aproximadamente 331 metros de espessura total, confirmando a existência de reservatórios de boa qualidade, com porosidade média entre 9% e 12%, de boa permeabilidade, superior à registada no poço Katambi-1, perfurado em 2014/2015. Segundo o comunicado, os testes iniciais registaram uma produção estabilizada diária de 41 milhões de pés cúbicos padrão (MMscfd) de gás e 1.160 barris por dia de condensados, “sem presença de água ou sulfureto de hidrogénio, reforçando a viabilidade económica do desenvolvimento da descoberta e o seu potencial contributo para a optimização da produção nacional”. “Este é o primeiro teste e fluxo completo (DTS Completo) realizado num reservatório de gás não associado em Angola. Uma avaliação preliminar aos resultados do teste indicou que o poço tem potencial para produzir mais de 100 MMscfd”, lê-se na nota. Um marco para o gás não associado em Angola A confirmação destes resultados no Bloco 24 reforça a aposta estratégica que Angola tem vindo a fazer no desenvolvimento do gás não associado — ou seja, gás extraído independentemente da produção de petróleo, ao contrário do gás associado, tradicionalmente obtido como subproduto da extracção petrolífera. Esta aposta já tinha ganho forma através do Novo Consórcio de Gás, criado em 2017 através de uma parceria entre o Estado angolano, representado pela ANPG, e um grupo de investidores composto pela Azule Energy, pela Cabinda Gulf Oil Company, pela Sonangol Produção e Exploração e pela TotalEnergies Angola, com o objectivo de desenvolver os campos de gás não associado descobertos nos Blocos 1, 2 e 3, e de fornecer gás à planta da Angola LNG. O Katambi-2 representa, contudo, um marco técnico distinto: segundo a ANPG, é o primeiro teste e fluxo completo alguma vez realizado especificamente num reservatório de gás não associado em Angola, o que confere a este resultado um significado que vai além do desenvolvimento do próprio Bloco 24, ao validar metodologias e critérios técnicos que poderão vir a ser replicados noutras áreas de exploração do país. Bacia de Benguela ganha novo fôlego exploratório A Bacia de Benguela, onde se localiza o Bloco 24, tem sido alvo de renovado interesse exploratório nos últimos anos, motivado em parte pela proximidade com outras áreas de potencial petrolífero e gasífero na região sul do país. O sucesso do Katambi-2 deverá reforçar essa tendência, atraindo maior atenção para a bacia num momento em que Angola procura diversificar as suas fontes de produção de hidrocarbonetos e travar o declínio da produção petrolífera nacional, registado nos últimos anos. Este anúncio surge alinhado com o esforço mais amplo do Executivo angolano para posicionar o gás natural como um pilar crescente da estratégia energética nacional — um sector que tem vindo a atrair investimento significativo de operadoras internacionais e nacionais, com Angola a apostar na monetização do gás tanto para consumo interno, através de projectos de electrificação e industrialização, como para exportação, através da Angola LNG. A confirmação de reservatórios de boa qualidade no Bloco 24 junta-se, assim, a um conjunto de desenvolvimentos recentes que reforçam a ambição do país de se afirmar como um produtor relevante de gás natural na região da África Austral e Central.

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