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Josefa Sacko leva Angola à corrida pela liderança mundial da FAO
A candidatura da diplomata angolana à direcção-geral da FAO, apoiada pela União Africana e pela SADC, representa uma oportunidade para reforçar a presença de Angola nos centros internacionais de decisão. Uma eventual vitória daria maior visibilidade à diplomacia económica nacional e ao papel de África na definição das políticas mundiais de segurança alimentar.
Angola oficializou na passada segunda-feira, 12 de Outubro, em Roma, a candidatura de Josefa Sacko à direcção-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), uma das mais importantes instituições internacionais na definição das políticas agrícolas e de segurança alimentar. A eleição está prevista para 2027 e a diplomata angolana apresenta-se com o apoio da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), numa candidatura que ultrapassa a dimensão individual e constitui uma oportunidade de afirmação da diplomacia económica nacional.
O apoio africano, formalizado em Fevereiro deste ano, resulta de um processo de concertação diplomática que permitiu reunir posições em torno de uma candidatura continental, depois de Marrocos ter retirado a sua pretensão a favor da representante angolana.
Mais do que a possibilidade de colocar uma cidadã nacional à frente de uma organização das Nações Unidas, a candidatura representa um passo na estratégia de internacionalização da presença angolana nos grandes centros de decisão. A diplomacia económica não se limita à atracção de investimentos, à negociação de financiamentos ou à promoção das exportações.
Inclui também a capacidade de participar na definição das políticas internacionais, influenciar prioridades de desenvolvimento e colocar quadros nacionais em posições de responsabilidade nas organizações multilaterais. Uma eventual eleição de Josefa Sacko teria um significado importante para a projecção internacional de Angola, reforçando a visibilidade do País e o reconhecimento da capacidade técnica dos seus quadros, além de contribuir para reforçar a participação de Angola nos debates sobre o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar.
Os benefícios não serão apenas diplomáticos. A FAO desempenha um papel relevante no apoio à modernização da agricultura, na transferência de conhecimento, na formação de produtores, na melhoria das estatísticas agrícolas e na mobilização de parcerias internacionais. São áreas particularmente importantes para Angola, cuja economia continua dependente do petróleo e onde a agricultura, apesar do potencial produtivo, enfrenta dificuldades estruturais de financiamento, mecanização, armazenamento e distribuição.
Para os cidadãos, os benefícios de uma cooperação internacional mais eficaz seriam indirectos, mas relevantes. O aumento da produção nacional, a melhoria das cadeias de distribuição e a modernização agrícola podem contribuir para criar empregos, reduzir a dependência das importações alimentares e melhorar a disponibilidade de produtos no mercado, com reflexos no custo de vida das famílias. A candidatura tem ainda uma dimensão de valorização do capital humano nacional.
O percurso de Josefa Sacko demonstra que os profissionais angolanos podem construir carreiras internacionais e assumir responsabilidades de liderança em organizações multilaterais, constituindo uma referência para as novas gerações.
Engenheira agrónoma de formação, Josefa Sacko construiu uma carreira de cerca de 35 anos ligada à agricultura, ao desenvolvimento rural e à cooperação internacional. Entre 2000 e 2013, desempenhou as funções de secretária-geral da Organização Interafricana do Café, representando os interesses de 25 países africanos produtores, numa actividade particularmente importante para as economias rurais do continente.
osteriormente, exerceu funções de assessoria e direcção em instituições angolanas ligadas ao desenvolvimento agrícola, antes de assumir, em 2017, responsabilidades na Comissão da União Africana, onde trabalhou nas áreas da agricultura, desenvolvimento rural, economia azul e ambiente sustentável, até 2025.
Actualmente, Josefa Sacko é embaixadora de Angola em Itália e representante permanente junto das agências das Nações Unidas sediadas em Roma, incluindo a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Alimentar Mundial (PAM). Uma posição que lhe proporciona conhecimento directo do funcionamento destas organizações e das principais discussões internacionais sobre alimentação e desenvolvimento rural....
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