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Inflação desacelera para 12,4% e está abaixo da meta do Governo para 202
Além da maior oferta de produtos, especialistas admitem que haverá uma retracção das compras por parte das famílias, afectadas pela perda de poder de compra no último ano, apesar dos aumentos salariais da função pública e dos salários mínimos. Estabilidade artificial do câmbio também ajuda.
O custo de vida em Angola desacelerou para 12,4% em Março, tratando-se do valor mais baixo dos últimos 32 meses, encontrando-se pelo segundo mês consecutivo abaixo da média de 13,7% prevista pelo Governo para todo o ano de 2026. De acordo com o Índice de Preços no Consumidor Final publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), trata-se de uma desaceleração de 0,9 pontos percentuais face ao mês de Fevereiro e de 11,4 pp face a Março do ano passado, quando a inflação homóloga foi de 23,9%.
Ainda em termos homólogos, a classe "Transportes" foi a que registou o maior aumento no índice de preços, com uma variação homóloga de 16,6%, seguido de "Habi tação, água, electricidade e combustíveis", com 15,5%, "Educação" e também "Saú de", ambas com 13,4%. Quanto à classe "Alimentação e bebidas não alcoólicas", os preços subiram 12,7% face a Março de 2025. Em Março, a alimentação foi a que mais contribuiu para o crescimento dos preços, com um total de 7,7% dos 12,4% gerais. As províncias que registaram menor variação de preços foram o Namibe (10,6%), Cu nene (9,9%) e Huambo (9,9%), ao passo que as províncias com maior variação no nível geral de preços foram Cabinda (19,6%), Malanje (14,6%) e Lunda Sul (14,6%). Quanto a Luanda, os preços cresceram 11,6%, o que representa uma desaceleração de 13,2 pontos percentuais face aos 24,8% registados em Março do ano passado, o que faz com que vários especialistas continuem a insistir que este é um milagre "made in" INE. Já em termos mensais, a nível nacional verificou-se um ligeiro crescimento, de apenas 0,03% em Março para 0,548% face ao mês anterior. Note-se que a informação relativa à inflação mensal deixou de ser publicada há uns meses no relatório Índice de Preços no Consumidor Final, passando a constar numa área específica no site do INE que, no entanto, está desatualizada, já que esta quarta-feira a última informação ali publi cada em formato excel era relativa ao mês de Janeiro.
No relatório de fundamentação do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, o Governo apontou a uma inflação de 13,7% em final de período, ou seja, em Dezembro deste ano. Olhando para os relatórios do INE, Março representa o segundo mês consecutivo em que a inflação homóloga está abaixo da meta projectada pelo Governo e que, a confirmar-se, será a inflação anual mais baixa desde 2015, quando "fechou" o ano em 12,1%. Apesar de ser a inflação mais baixa dos últimos 32 meses, ainda assim está acima dos 10,9% que o Governo inscreveu no OGE 2026 como a inflação média na região da SADC este ano.
Já o BNA é ligeiramente mais optimista que o Governo e aponta para uma inflação de 13,5% (FMI aponta a 13,4%) no final do ano. Esta desaceleração do ritmo de crescimento dos preços no país tem permitido ao banco central desapertar a política monetária nos últimos tempos, o que acabou por ter impacto, também, na redução da taxa de malparado na banca nacional. Na primeira reunião do Comité de política Monetária (CPM), o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, sublinhou que a redução da inflação resulta, essencialmente, "do aumento da oferta de produtos de amplo consumo, da melhoria das condições monetárias, reflectida no controlo da liquidez em circulação e na sua adequação à actividade económica, assim como da estabilidade cambial observada ao longo do ano".
No entanto, essa estabilidade cambial que o governador abordou só acontece por que o banco central tem estado a gerir administrativamente a moeda, impedindo a sua desvalorização. Isto porque há uma diferença de cerca de 1.200 milhões USD entre aquilo que os bancos têm comunicado na plataforma Bloomberg (onde são feitas as operações de compra de divisas) que são as suas necessidades e depois aquilo que realmente conseguem comprar. Caso o regime cambial em vigor fosse o flexível, como o governador do BNA tem recorrentemente insistido que é, a moeda nacional deveria desvalorizar para reflectir a falta de oferta para suprir a procura.
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