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Indústria Transformadora recebe 60 mil milhões de kwanzas em financiamentos no segundo trimestre

Sector cresceu 7,22% até ao terceiro trimestre de 2025 e continua entre os principais destinos do crédito bancário angolano, num esforço mais amplo de diversificação da economia A Indústria Transformadora angolana beneficiou, entre Abril e Junho, de 61,4 mil milhões de kwanzas (66,5 milhões de dólares) em financiamentos obtidos, segundo o mais recente relatório sobre o crédito à economia do Banco Nacional de Angola (BNA). Este valor confirma a Indústria Transformadora como um dos principais destinos do financiamento bancário direccionado ao sector real da economia angolana, a par da indústria extractiva e da agricultura. Segundo dados anteriores do próprio BNA, o crédito total concedido a este subsector já tinha atingido 828,2 mil milhões de kwanzas em Março deste ano, tendo registado, no mês homólogo, um acréscimo de 137 mil milhões de kwanzas — um crescimento de 21,2% — face ao ano anterior. O reforço do financiamento à Indústria Transformadora surge integrado numa tendência mais ampla de crescimento do crédito ao sector real da economia angolana: em Março de 2026, o crédito bruto direccionado a este segmento totalizou 2 biliões de kwanzas, um aumento de 375,5 mil milhões de kwanzas (22,6%) face ao período homólogo — impulsionado, sobretudo, pelo incremento de recursos disponibilizados à indústria extractiva, mas com a Indústria Transformadora a manter um papel de destaque na distribuição global do crédito produtivo. Uma parcela significativa deste financiamento tem sido canalizada ao abrigo do Aviso 10/2024 do BNA, instrumento regulatório criado para o fomento do sector real da economia. Segundo dados do banco central, o crédito total concedido ao abrigo deste regime atingiu, em Março, 1,4 biliões de kwanzas, representando 69,4% do total de crédito concedido ao sector real e 15% da carteira de crédito bruto de todo o sistema bancário angolano — um sinal da centralidade que este mecanismo tem assumido no financiamento à produção nacional, incluindo à Indústria Transformadora. Um sector com peso crescente na economia não petrolífera O reforço do crédito à Indústria Transformadora acompanha, de resto, um desempenho robusto do próprio sector na economia real angolana. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao terceiro trimestre de 2025 e citados pelo BNA, a Indústria Transformadora registou um crescimento acumulado de 7,22% — um dos ritmos mais elevados entre os sectores não petrolíferos, à frente da agropecuária e silvicultura (3,33%) e do comércio (6,29%). Este desempenho tem sido apontado pelo banco central como um dos principais motores da expansão da actividade económica não petrolífera do país. O reforço do financiamento à Indústria Transformadora insere-se na estratégia mais ampla do Executivo angolano para acelerar a diversificação da economia e reduzir a dependência das receitas petrolíferas — um objectivo que tem sido reiterado em diferentes fóruns económicos ao longo do ano, da FILDA à apresentação de resultados do Sector Empresarial Público. Segundo analistas do sector financeiro, a evolução do crédito ao sector real é também um indicador da capacidade do sistema bancário angolano em canalizar recursos para actividades geradoras de valor, emprego e produção interna — precisamente os objectivos que o Governo tem procurado associar ao crescimento sustentado da Indústria Transformadora nos últimos trimestres.

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