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Impulso à Produção Nacional: crédito ao sector real cresce 23,3% em Setembro

O financiamento destinado ao sector real da economia angolana registou um crescimento homólogo de 23,3% no mês de Setembro de 2026, fixando-se em cerca de 2,1 biliões de Kwanzas, de acordo com os dados divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA). A expansão dos recursos alocados aos sectores produtivos superou de forma expressiva o ritmo de crescimento do crédito bruto total concedido pelo sistema bancário nacional, refletindo o impacto das medidas regulamentares dirigidas à diversificação da economia e ao reforço da produção interna. ​O incremento da massa de crédito alocada à economia não petrolífera tem sido sustentado sobretudo pelos ramos da indústria transformadora, da agricultura, pecuária e silvicultura, bem como pelo sector das pescas. A indústria transformadora consolida-se como o principal polo de captação de financiamento bancário, impulsionada pelo aumento da procura por transformação local de matérias-primas e pela estratégia de substituição de importações. A grande maioria das operações enquadra-se nos mecanismos de incentivo promovidos pelo banco central, nomeadamente através do normativo que obriga as instituições bancárias comerciais a alocar uma percentagem mínima do seu activo líquido ao financiamento da produção de bens essenciais. ​A aceleração do crédito ao sector real ocorre num momento em que a autoridade monetária mantém um acompanhamento rigoroso sobre o cumprimento das metas de crédito obrigatório impostas à banca comercial. Estes instrumentos de política regulatória têm permitido assegurar taxas de juro mais favoráveis e prazos de maturidade mais ajustados aos ciclos produtivos dos empreendimentos agrícolas e industriais. O crescimento de 23,3% observado no sector real contrasta com a evolução do crédito bruto global, sinalizando uma reorientação progressiva do capital bancário da dívida pública e do consumo para a atividade produtiva directa. ​Apesar do avanço registado nos indicadores estatísticos, peritos do sector financeiro e operadores económicos salientam que persistem desafios estruturais no processo de absorção destes recursos. Entre as principais preocupações figuram a gestão do risco de incumprimento, as dificuldades de acesso ao crédito por parte das micro, pequenas e médias empresas devido à escassez de garantias reais ou de contabilidade organizada, e o impacto da volatilidade cambial sobre o custo dos fatores de produção importados, elemento que pressiona as margens de rentabilidade dos projetos financiados. ​Com o desempenho apurado no final do terceiro trimestre de 2026, as perspetivas do mercado apontam para a manutenção da trajetória ascendente do crédito à produção até ao fecho do exercício económico. A consolidação desta tendência é considerada fundamental para estimular a criação de emprego formal, mitigar a pressão sobre as reservas internacionais e sustentar o crescimento do Produto Interno Bruto não petrolífero em Angola.

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