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Guiné-Conacri não irá aderir à moeda única a ser criada pela CEDEAO

Guiné-Conacri não irá aderir à moeda única a ser criada pela CEDEAO

A República da Guiné (Conacri) tornou-se o primeiro membro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a recusar oficialmente a adesão à proposta da moeda única Eco, optando por manter o franco guineense, numa altura em que o bloco regional se aproxima da criação de uma união monetária. A CEDEAO prevê lançar a tão aguardada moeda comum em Julho de 2027, embora as autoridades tenham indicado que a implementação deverá ocorrer de forma faseada, em vez de abranger todos os Estados-membros em simultâneo. De acordo com a estrutura proposta, apenas os países que cumprirem os principais critérios macroeconómicos, incluindo metas de inflação, dívida pública, disciplina orçamental e estabilidade monetária, poderão integrar a primeira fase da união monetária. A decisão da Guiné evidencia as preocupações com as possíveis consequências económicas de abdicar do controlo da sua moeda nacional antes de reforçar a capacidade de produção interna. Segundo economistas, dispor de uma política monetária autónoma permite ao país responder melhor aos choques económicos e gerir os seus próprios objectivos de desenvolvimento. As tendências comerciais também parecem ter influenciado a posição de Conacri, uma vez que uma parte significativa das exportações da Guiné tem como destino países fora da África Ocidental, sendo a Ásia responsável por quase 80% das exportações. De acordo com analistas, a adopção de uma moeda regional única poderá limitar a capacidade do país de ajustar a política monetária às necessidades dos seus principais parceiros comerciais. Apesar da sua abundante riqueza em recursos naturais, incluindo grandes reservas de bauxite, ouro e minério de ferro, a Guiné continua fortemente dependente das importações de muitos produtos manufaturados e bens alimentares, tornando o controlo da taxa de câmbio um instrumento fundamental da política económica. Os líderes da CEDEAO deverão reunir-se em Dezembro para discutir várias questões pendentes relacionadas com a união monetária. As discussões deverão centrar-se na estrutura de governação do futuro banco central regional, nos procedimentos de votação e na lista de países elegíveis para integrar o lançamento inicial da moeda Eco. Recorde-se que a organização regional trabalha há mais de 20 anos na criação de uma moeda única, considerada um passo fundamental para aumentar o comércio transfronteiriço, reduzir os custos de transação e reforçar a integração económica em toda a África Ocidental. Refira-se que a CEDEAO conta actualmente com 12 Estados-membros (Benim, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, República da Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Nigéria, Serra Leoa, Senegal e Togo), após a saída do Burquina Faso, Mali e Níger, em 2024, quando os três países fundaram a Aliança dos Estados do Sahel, tomando um rumo próprio.

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