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Forte crescimento digital e mais ATMs não travam longas filas nos multicaixas

Forte crescimento digital e mais ATMs não travam longas filas nos multicaixas

Embora a digitalização esteja a avançar, ainda não substitui a procura por serviços presenciais. A expansão limitada da rede de ATMs face ao crescimento da inclusão financeira, exige maior investimento em infraestruturas para evitar congestionamentos no sistema. Ao mesmo tempo, os bancos têm reduzido a abertura de agências, apostando em centros de ATMs. Ainda assim, cada máquina serve em média cerca de 1.635 utilizadores no país. Reportagem de Enchente nos ATM nas Arterias de Luanda Foto: Arquivo Apesar de os canais digitais se afirmarem hoje como a principal via para a realização de transacções, garantindo maior rapidez e comodidade, a realidade do sistema bancário angolano continua a revelar uma forte pressão sobre os meios físicos, em particular as Caixas Automáticas, vulgo ATMs. No primeiro trimestre deste ano, o número de operações em ATMs cresceu 5% para 137,2 milhões de operações face às 126,1 milhões registadas no período homólogo (+ 6,7 milhões de operações), segundo cálculos do Expansão com base nas estatísticas da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS). Contas feitas, o número de ATMs activos cresceu 10% para 4.577 caixas quando comparado com o primeiro trimestre de 2025, o que significa que foram disponibilizadas mais 405 máquinas para os utilizadores. Ainda assim, este crescimento não tem sido suficiente para acompanhar o ritmo de adesão aos serviços financeiros. Entre Janeiro e Março deste ano, o número de cartões multicaixa activos registou um aumento significativo, atingindo os 7,5 milhões (entre 8,9 milhões de cartões válidos), o que representa uma expansão na ordem dos 8% face ao período homólogo. Como resultado, o rácio de usuários por ATM diminuiu, ao passar de 1.664 no primeiro trimestre de 2025 para os actuais 1.635, o que mostra que por cada máquina se espalhou em diversos pontos pelo País, em média, há pelo menos 1.635 usuários. Esta redução, embora positiva, é residual e reflecte sobretudo o forte crescimento do número de utilizadores, que continua a superar o investimento em infraestruturas de equipamentos. Entretanto, este desequilíbrio ajuda a explicar por que razão, apesar dos avanços na digitalização dos serviços bancários, persistem constrangimentos no acesso ao numerário. As filas nos bancos e nos caixas electrónicos continuam a ser uma realidade, sobretudo em períodos de maior pressão, como no final e no início de cada mês, coincidentes com os períodos de pagamento dos salários. Assim, a transição para o digital, embora relevante, ainda não é suficiente para substituir a procura por serviços físicos. A expansão limitada da rede de ATMs, face ao crescimento acelerado da inclusão financeira, indica a necessidade de um reforço do investimento em infraestruturas, sob pena de se manterem os níveis actuais de congestionamento no sistema bancário. Em várias zonas do País, os bancos têm vindo a reduzir a abertura de novas agências, privilegiando antes o investimento em centros de ATMs, o que justifica o aumento do número de máquinas disponíveis. Para o presidente da Associação Angolana de Defesa do Consumidor de Serviços e Produtos Bancários (ACONSBANC), Nelson Prata, o problema não se resume apenas à quantidade de ATMs disponíveis, mas também à capacidade de os bancos assegurarem a sua manutenção, bem como o carregamento regular e atempado desses equipamentos. "Assistimos, durante os anos de 2024 e 2025, a uma expansão indiscriminada de ATMs Centers. Neste momento, faz mais sentido apostar na optimização da rede existente e na aceleração de soluções digitais, como o mobile banking e os agentes bancários. A aposta em mais ATMs poderá não ser a resposta mais eficaz para o problema", referiu....

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