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FMI considera corte na ajuda humanitária “o maior golpe macroeconómico” para África

FMI considera corte na ajuda humanitária “o maior golpe macroeconómico” para África

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta semana que o corte na ajuda dos doadores aos países africanos pode reduzir o financiamento em até sete mil milhões de dólares e é “o maior golpe macroeconómico” que estes países enfrentam. A Etiópia, a República Democrática do Congo e a Nigéria são os países mais afectados. A agravar a situação está o facto das agências de ajuda humanitária também enfrentarem cortes no financiamento. “Os cortes na ajuda infligirão o maior golpe macroeconómico aos países de baixo rendimento e aos países frágeis e em conflito” lê-se numa análise especial distribuída em conjunto com o relatório económico sobre os países da África subsaariana, no âmbito dos Encontros da Primavera, que decorrem esta semana em Washington. Nestes países, “a incerteza acrescida em torno dos cortes, as restrições na capacitação, o espaço orçamental limitado e as dolorosas escolhas políticas significam que as reduções vão traduzir-se em ventos contrários ao crescimento mais acentuados, condições humanitárias agravadas e pressões orçamentais mais intensas do que em choques anteriores”. Na análise, o FMI diz que já houve outras vagas de corte na ajuda externa aos países africanos, mas avisa que “desta vez é diferente”, salientando que “mesmo os países com reservas suficientes para compensar os cortes enfrentarão uma deterioração das suas posições orçamentais”. O valor da ajuda bilateral aos países africanos caiu entre 16% e 28% no ano passado, diz o FMI, citando os dados da OCDE, que colocam a queda num valor entre quatro e sete mil milhões de dólares, ou seja, entre 3,3 e 5,9 mil milhões de euros face aos níveis de 2024, principalmente devido ao encerramento da agência dos Estados Unidos para a ajuda internacional, a USAID. A Etiópia, a República Democrática do Congo e a Nigéria são os países mais afetados em termos do valor, mas o FMI diz que onde o corte se vai sentir mais é nos países onde o valor, ainda que mais reduzido, significa uma maior percentagem do financiamento internacional. Assim, o FMI refere por exemplo o Sudão do Sul e a República Centro-Africana, que poderão perder ajuda superior ao equivalente a 10% das suas receitas públicas, sendo a ajuda humanitária a mais afetada. A agravar a situação está o facto de as próprias agências internacionais de ajuda humanitária enfrentarem cortes no seu financiamento, acrescenta o FMI.

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