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Estado reforça aposta na cultura com mais de 15 mil milhões Kz em investimentos

Estado reforça aposta na cultura com mais de 15 mil milhões Kz em investimentos

As maiores verbas são 4,8 mil milhões Kz para repor a estabilidade estrutural do edifício do Museu Nacional de História Natural em Luanda e 9,5 mil milhões para a montagem de duas pontes metálicas de acesso ao Parque Nacional da Cangandala, na província de Malanje. Vários tipos de máscaras tradicionais das regiões do país de Angola,Peças do acervo museológico de Antropologia Vários tipos de máscaras tradicionais das regiões do país de Angola,Peças do acervo museológico de Antropologia O Governo autorizou um novo pacote de investimentos públicos no sector da cultura que ultrapassa os 15 mil milhões de kwanzas, concentrado na reabilitação de infra-estruturas museológicas, património histórico e equipamentos culturais estratégicos, ao mesmo tempo que aprovou a entrada excepcional de 338 novos funcionários para o Ministério da Cultura e os seus órgãos superintendidos. As decisões, formalizadas por despachos presidenciais publicados no Diário da República de 3 de Fevereiro, reforçam a leitura de que o Executivo pretende reposicionar a cultura como eixo estrutural da política pública, com impacto na identidade nacional, no turismo e nas indústrias criativas. O maior investimento autorizado diz respeito à reposi­ção da estabilidade estrutural do edifício do Museu Nacional de História Natural, localizado no Largo do Kinaxixi, em Luanda. A empreitada, enquadrada num procedimento de contratação emergencial, ascende a 4,6 mil milhões Kz, valor que inclui IVA e visa responder ao risco iminente para trabalhadores e visitantes, após a identificação de patologias graves na estrutura do edifício. A este montante soma-se a fiscalização da obra, orçada em 161,1 milhões Kz, elevando o esforço financeiro associado a este equipamento cultural para perto de 4,8 mil milhões Kz. Ainda no domínio do património cultural e natural, o Governo autorizou a construção dos encontros e a montagem de duas pontes metálicas de acesso ao Parque Nacional da Cangandala, na província de Malanje, numa extensão de 31 quilómetros. Embora se trate de uma infra-estrutura rodoviária, o investimento tem impacto directo na valorização e acessibilidade de um dos principais parques naturais do país, integrando-se na estratégia de promoção do turismo cultural e ambiental. A empreitada está avaliada em 9,28 mil milhões Kz, com mais 232,1 milhões Kz destinados à fiscalização, totalizando cerca de 9,5 mil milhões Kz. Outro projecto emblemático é a reabilitação e apetrechamento dos Cines Alfa 1 e 2, em Luanda, para a sua conversão em Museu do Cinema e das Imagens em Movimento. O Executivo autorizou uma adenda para trabalhos a mais, no valor de 895,1 milhões Kz, justificada por alterações ao projecto inicial e pela necessidade de adequar o equipamento às actuais exigências técnicas e museológicas. O futuro museu é visto como uma peça-chave na preservação da memória audiovisual angolana e no reforço da oferta cultural urbana. Paralelamente ao investimento físico, o Presidente da República autorizou, a título excepcional, o ingresso de 338 novos trabalhadores no quadro de pessoal do Ministério da Cultura e dos seus órgãos superintendidos. A medida visa garantir o funcionamento regular dos serviços e assegurar capacidade técnica para executar os programas de expansão e desenvolvimento cultural em todo o território nacional, num contexto em que vários equipamentos reabilitados carecem de quadros especializados para a sua gestão e manutenção. No seu conjunto, as decisões agora tomadas enquadram-se numa estratégia mais ampla de reposicionamento da cultura como activo económico, observada nos últimos anos através da recuperação de museus, centros culturais, salas de espectáculos e sítios históricos, bem como do discurso oficial que associa património, turismo e indústrias criativas à diversificação da economia. Apesar de o peso directo da cultura no PIB ser muito baixo, o Executivo tem vindo a sinalizar que o sector pode funcionar como catalisador de emprego, turismo urbano e valorização simbólica do país.

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