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“Esta equação não vai funcionar sem transparência”, alerta a PCE do Caixa Angola, ao condicionar o crédito a relatórios actualizados

“Esta equação não vai funcionar sem transparência”, alerta a PCE do Caixa Angola, ao condicionar o crédito a relatórios actualizados

"A concessão de crédito à economia não depende apenas da banca, mas também do empenho do setor empresarial em aumentar os depósitos e apresentar contas transparentes", PCE do BCGA. A baixa captação de depósitos no mercado nacional e a fraca qualidade da informação financeira apresentada pelas empresas continuam a travar a concessão de crédito em Angola. O alerta foi deixado pela presidente da Comissão Executiva (PCE) do Banco Caixa Geral Angola, Manuela Ferreira, durante a sua intervenção no painel “Angola First”, inserido na primeira edição do Encontro “Fora da Caixa”. Durante o debate, a responsável sublinhou que a libertação de financiamento ao sector produtivo exige um compromisso rigoroso de parte a parte e desmistificou a ideia de que a concessão de crédito é um acto isolado da banca. Para que o capital flua para a economia real, Manuela Ferreira destacou que a equação assenta em dois pilares fundamentais: a captação prévia de depósitos e a apresentação de relatórios financeiros fiáveis. A gestora lembrou que o volume total de depósitos bancários no país ronda actualmente os 25 mil milhões de euros um montante que representa cerca de 30% da massa monetária angolana e equivale a apenas um quarto dos activos de um único banco europeu de dimensão média. Para a bancarização avançar e a economia ganhar escala, as empresas têm de colocar os seus recursos no sistema financeiro nacional. "Quando se fala em financiamento, só se vê o lado de o banco pôr o dinheiro à disposição dos clientes. É importante que os nossos clientes e potenciais clientes também ponham o dinheiro dentro dos bancos para que nós, com critérios de risco, disciplina e rigor, o possamos colocar à disposição da economia", defendeu a PCE. O segundo grande obstáculo reside na qualidade da informação prestada pelas empresas. Segundo Manuela Ferreira, o sector bancário enfrenta sérias dificuldades devido à escassez de demonstrações financeiras actualizadas, constantes e transparentes. Sem dados contabilísticos tempestivos e auditados, a avaliação de risco torna-se inviável, o que impede os bancos de aprovarem projectos de investimento com a rapidez desejada. "A banca tem de ganhar a confiança dos empresários, mas os empresários têm de ganhar confiança também e trabalhar mais na questão da transparência e da tempestividade, porque se não o fizermos, esta equação não vai funcionar", advertiu a gestora. Apesar das limitações do mercado, Manuela Ferreira destacou o compromisso do banco que lidera com o desenvolvimento económico do país e revelou que o Caixa Angola apresenta a maior taxa de transformação do sector no país. A instituição canaliza 60% dos depósitos captados directamente para o financiamento de clientes. A PCE concluiu com o reforço de que o banco continua empenhado em apoiar o tecido empresarial através de produtos de tesouraria, apoio ao comércio internacional e consultoria no reforço da governação corporativa, mas reiterou que o exemplo do rigor e da profissionalização deve começar dentro das próprias empresas.

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