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Empresas públicas custaram 352 milhões de dólares ao Estado em 2025, mas lucro agregado do sector também bate recorde
Sonangol e Unitel lideram os resultados líquidos, enquanto órgãos de comunicação social estatais continuam a absorver a maior fatia dos subsídios operacionais do IGAPE
O Sector Empresarial Público (SEP) angolano apresentou, este ano, as suas contas relativas ao exercício de 2025 ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), revelando um sector com sinais contraditórios: por um lado, lucros agregados em forte crescimento; por outro, um peso crescente sobre os cofres do Estado, através de capitalizações e subsídios operacionais.
Segundo cálculos do jornalExpansão, baseados nos dados divulgados pelo IGAPE, o Governo gastou 271,9 mil milhões de kwanzas em capitalizações de empresas públicas em 2025, aos quais se somam mais 49 mil milhões de kwanzas em subsídios operacionais. No total, o SEP custou aos contribuintes angolanos cerca de 320,9 mil milhões de kwanzas — equivalente a 352 milhões de dólares, à taxa de câmbio do final do ano —, um aumento de 66% face aos 193,6 mil milhões de kwanzas registados em 2024. Este crescimento acontece, note-se, mesmo depois de o Governo ter lançado o Programa de Privatizações (PROPRIV), em 2019, com o objectivo declarado de reduzir a dependência financeira das empresas estatais face ao Orçamento Geral do Estado.
Órgãos de comunicação social lideram a lista dos subsídios
O IGAPE confirmou que os custos com subsídios operacionais cresceram 6% em relação a 2024, totalizando 49 mil milhões de kwanzas (cerca de 53,71 milhões de dólares). Segundo a instituição, este crescimento resultou sobretudo da necessidade de garantir algum reequilíbrio remuneratório para determinadas empresas do portfólio público — nomeadamente os órgãos de comunicação social estatais, entre eles a Televisão Pública de Angola (TPA), a Rádio Nacional de Angola (RNA), as Edições Novembro (que detêm oJornal de Angolae outros títulos), a Angop e a TV Zimbo.
Este padrão não é novo: em anos anteriores, o IGAPE já tinha identificado a TPA como uma das empresas que mais beneficiou de subsídios operacionais, ao lado de outras entidades como a Angola Telecom, o Grupo Zahara, os Caminhos de Ferro de Benguela (CFB) e de Luanda (CFL) — um padrão recorrente de empresas públicas cuja actividade continua fortemente dependente de apoio financeiro directo do Estado para se manter operacional.
Do ponto de vista das capitalizações, o SEP apresentou um crescimento de aproximadamente 90%, tendo o Estado canalizado 271,90 mil milhões de kwanzas (cerca de 298,01 milhões de dólares) para reforçar o capital de várias empresas — parte significativa dos quais destinada ao Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), com vista ao financiamento de programas de concessão de crédito em curso e a lançar.
Sonangol e Unitel lideram os resultados líquidos
Apesar do peso das subvenções, o sector no seu conjunto registou também sinais claros de robustez financeira. O resultado líquido agregado das empresas públicas cresceu 20% face ao ano anterior, atingindo 949 mil milhões de kwanzas (cerca de 1,04 mil milhões de dólares), segundo o chefe do Departamento de Acompanhamento das Empresas Públicas do IGAPE, Ednilson de Sousa.
A Sonangol liderou, destacadamente, o resultado líquido do sector, com cerca de 862,4 mil milhões de kwanzas (945,21 milhões de dólares) — praticamente todo o lucro agregado do SEP —, seguida, a larga distância, pela Unitel, com 158,4 mil milhões de kwanzas (173,61 milhões de dólares). Na sequência da tabela de melhores resultados surgem ainda a Endiama, o Porto de Luanda, a Prodel, a Angola Telecom, a ENDE, a SODIAM, a UNICARGAS e a RNT.
Relativamente aos dividendos entregues ao Estado, o SEP registou uma tendência crescente de cerca de 25%, subindo dos 53 mil milhões de kwanzas (58,09 milhões de dólares) em 2024 para 75,6 mil milhões de kwanzas (82,86 milhões de dólares) em 2025.
Ainda assim, o peso global do sector na economia angolana tem vindo a diminuir: segundo dados anteriores do IGAPE, a contribuição do SEP para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 18%, em 2023, para 16% no ano seguinte — uma tendência que reflecte tanto o processo de privatizações em curso como o crescimento mais acelerado de outros sectores da economia não estatal.
Um retrato ainda marcado por reservas nas auditorias
O IGAPE tem, nos últimos anos, aprovado a generalidade das contas das empresas públicas com reservas: em exercícios anteriores, das cerca de 50 empresas com obrigação legal de apresentar contas por serem detidas a 100% pelo Estado, apenas um pequeno número — como o Banco de Comércio e Indústria (BCI), a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), o Caminho de Ferro de Benguela e o Caminho de Ferro de Luanda — obteve aprovação sem qualquer reserva, enquanto a esmagadora maioria continuou a receber pareceres condicionados, e um pequeno grupo viu mesmo as suas contas reprovadas — um sinal de que, apesar da melhoria global dos resultados financeiros do sector, persistem fragilidades estruturais na governação e na transparência contabilística de várias empresas públicas angolanas.
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