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Dubai e Bolsa do Botswana criam primeiro corredor africano de comércio de matérias-primas

Dubai e Bolsa do Botswana criam primeiro corredor africano de comércio de matérias-primas

O Dubai Multi Commodities Centre (DMCC) assinou antes de ontem, quarta-feira, dia 15, um memorando de entendimento estratégico com o Grupo da Bolsa de Valores do Botswana (BSE Group), estabelecendo o que ambas as partes descrevem como o primeiro corredor africano de comércio de matérias-primas entre dois centros-irmãos, ligando o Dubai e Gaborone, refere o site da CNBC. O acordo une a Botswana Mercantile Exchange (BMX), a plataforma de mercadorias do país operada pelo BSE Group, ao ecossistema internacional de comércio, financiamento e logística do Dubai. Prevê ainda a criação de uma presença física permanente do Botswana no distrito de matérias-primas do DMCC. O memorando foi assinado em Singapura, à margem do 41.º Congresso Mundial do Diamante, por Ahmed Bin Sulayem, presidente executivo e director-geral do DMCC, e pela presidente do BSE Group, Neo Mooki. A parceria abrange o comércio internacional de matérias-primas produzidas no Botswana, incluindo diamantes, cobre, carvão, carbonato de sódio, minerais críticos, carne bovina e produtos agrícolas. A cooperação estender-se-á ao acesso aos mercados, financiamento do comércio, logística, armazenamento em cofres, infraestruturas digitais e desenvolvimento de capacidades. Uma das primeiras iniciativas previstas consiste na aproximação entre a estatal Okavango Diamond Company e a Dubai Diamond Exchange, através da realização coordenada de leilões de diamantes, criando uma ligação comercial directa entre a produção diamantífera do Botswana e o Dubai, considerado o maior centro mundial de comércio de diamantes. Os primeiros leilões comerciais deverão ocorrer no final de 2026. A ministra dos Minerais e Energia do Botswana, Bogolo Joy Kenewendo, afirmou que o acordo representa um passo importante na estratégia do país para maximizar o valor dos seus recursos minerais e de outras matérias-primas, reforçando o acesso aos mercados, a atracção de investimento e a transformação local dos recursos. Ahmed Bin Sulayem considerou que a parceria reflecte a ambição comum de gerar maior valor a partir dos recursos naturais do Botswana e demonstrar como a cooperação entre países produtores e grandes centros comerciais pode transformar o futuro do comércio global de matérias-primas. Já Neo Mooki classificou o acordo como um marco transformador para o Botswana, reforçando a ambição do BSE Group de posicionar a Botswana Mercantile Exchange como um interveniente de relevo nos mercados internacionais de commodities. Finanças digitais e armazenamento As duas organizações irão explorar a utilização da infra-estrutura financeira digital do DMCC, incluindo a plataforma FinX, para alargar o investimento em matérias-primas originárias do Botswana. O projecto prevê também o recurso a instrumentos de financiamento islâmico compatíveis com a Sharia e a tokenização de activos físicos, criando novas oportunidades para investidores institucionais. Está igualmente prevista a construção, em Gaborone, de um cofre da BMX, que deverá tornar-se a primeira instalação certificada segundo o padrão DMCC Global Good Delivery Standard, concebido para reforçar a transparência, facilitar o financiamento e apoiar o comércio internacional de matérias-primas. A parceria inclui ainda uma cooperação mais estreita na promoção dos diamantes naturais, através do Acordo de Luanda e do Natural Diamond Council. Diversificar numa altura de crise dos diamantes O acordo surge numa fase particularmente difícil para o Botswana, o segundo maior produtor mundial de diamantes naturais em bruto. Historicamente, este sector representa cerca de 70% das exportações, um terço das receitas do Estado e aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto (PIB). Desde o final de 2023, a procura mundial por diamantes naturais diminuiu significativamente, pressionada pela crescente popularidade dos diamantes produzidos em laboratório, pela gestão mais cautelosa dos inventários e pelo abrandamento do consumo de bens de luxo. A Debswana, empresa detida em partes iguais pelo Governo e pela De Beers, reduziu significativamente a produção, enquanto a economia do Botswana registou contração em 2024 e 2025. Em Março, a agência S&P Global Ratings reduziu a notação da dívida soberana de longo prazo do Botswana para BBB-, o nível mais baixo dentro da categoria de investimento, mantendo uma perspetiva negativa devido à prolongada fraqueza do mercado de diamantes. O Governo prevê um regresso ao crescimento económico em 2026 e lançou um plano de desenvolvimento de cinco anos destinado a diversificar a economia para além dos diamantes. Neste contexto, o novo corredor comercial com o Dubai poderá oferecer ao Botswana acesso a maiores fontes de financiamento, compradores internacionais e novos instrumentos financeiros baseados nas matérias-primas que o país já produz. O sucesso deste modelo poderá servir de referência para futuras parcerias semelhantes entre países africanos produtores e grandes centros globais de comércio.

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