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Desempenho do sector logístico nacional continua ao nível dos piores do mundo

Desempenho do sector logístico nacional continua ao nível dos piores do mundo

A grande força de projectos que envolvem vários países está na possibilidade de transformar mercados locais em pólos de desenvolvimento com impacto regional, integrando infra-estruturas e negócios complementares. Uma melhor coordenação entre países pode impulsionar mudanças reais na economia e promover novos investimentos. Camiões de carga à espera do peixe seco para ditribuição. O impacto económico do Corredor do Lobito continua longe do potencial anunciado, ao mesmo tempo que as medidas para melhorar o comércio e o transporte de mercadorias não estão a avançar ao ritmo necessário, mantendo o sector logístico nacional ao nível dos piores do mundo, alerta o Banco Mundial (BM) na sua análise à economia angolana, divulgada terça-feira, 21, em Luanda. Para agravar a situação, o BM defende que as restrições logísticas, sobretudo ao nível das infra-estruturas e da certificação técnica, não afectam apenas Angola, mas também RDC e Zâmbia, que fazem parte do Corredor do Lobito. "As três nações enfrentam restrições logísticas significativas, com Angola a classificar-se entre os países com pior desempenho no Índice de Desempenho Logístico", assinalam os autores do estudo (ver gráfico). O Índice de Desempenho Logístico, criado pelo Banco Mundial, analisa critérios como qualidade da infraestrutura, prazos de entrega, rastreamento de mercadorias e eficiência dos serviços aduaneiros em 139 países. No que diz respeito apenas à qualidade das infra-estruturas, Angola obtém 47,4 pontos no Índice Global, muito abaixo do intervalo de 65 a 90 pontos registados pelas economias do Leste Asiático em rápido crescimento, reflectindo anos de escasso investimento em sistemas de qualidade e certificação, dois elementos fundamentais para transformar um mero corredor de passagem de mercadorias num movimento com impacto real e abrangente na actividade económica. "As exportações agrícolas para a União Europeia (UE), incluindo a cadeia de valor do abacate identificada como prioritária, exigem certificação sanitária e fitossanitária que o sistema fitossanitário de Angola ainda não consegue garantir totalmente", assinala o BM no estudo com o título "De Trânsito à Transformação: O Corredor do Lobito como motor de diversificação económica e integração regional". Sem certificação internacionalmente reconhecida, os produtores do Huambo não vão conseguir entrar nos mercados da UE (e noutros com regulamentação similar), independentemente da qualidade dos produtos ou de margens de lucro mais atractivas, decorrentes de acordos comerciais específicos. "A experiência mostra que, para maximizar o impacto dos corredores, as economias bem- -sucedidas apoiaram-se em duas estratégias: focar o apoio em indústrias inteiras em vez de empresas específicas e deixar que o sector privado lidere o caminho", considera o BM. Apesar de reconhecer os esforços das autoridades e dos parceiros envolvidos, os autores do estudo sublinham que o "ecossistema que rodeia o Corredor do Lobito continua insuficiente para sustentar a sua transformação de um enclave restrito para um motor de desenvolvimento económico mais amplo". "Dada a capacidade de implementação desigual [entre os diferentes actores e parceiros envolvidos] corre-se o risco de atrasar a coordenação entre as melhorias de infraestruturas e a facilitação do comércio. Os desafios ao nível da regulação e as ineficiências fronteiriças continuam a limitar a competitividade" do Corredor do Lobito, defende o BM. Para o BM, o projecto situa-se na "intersecção de várias grandes tendências globais". Em primeiro lugar, a transição energética global está a impulsionar a procura por minerais, especialmente cobre e cobalto. Entre 2018 e 2024, o consumo de cobre aumentou de 24,5 milhões de toneladas para quase 27 milhões de toneladas, enquanto a procura por cobalto aumentou em 60%. Também o realinhamento geopolítico, as preocupações com o meio ambiente e as mudanças no comércio internacional estão a acelerar a diversificação das cadeias de abastecimento, o que faz aumentar o interesse por rotas de exportação fiáveis, transparentes e de menor risco. Por último, o dividendo demográfico de África, e a necessidade de garantir melhores oportunidades e novos empregos, tem pressionado os governos a reforçar o investimento em actividades que promovam realmente a criação de postos de trabalho. Outro factor que vai marcar o futuro das economias é o acesso à tecnologia e conectividade, que podem amplificar iniciativas como o Corredor do Lobito, com potencial para reduzir disputas comerciais e aumentar a eficiência de vários sectores, através de sistemas digitais de alfândega e janela única, rastreio de cargas, partilha interoperável de dados...

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