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Desconhecimento trava expansão do seguro agrícola em Angola

Desconhecimento trava expansão do seguro agrícola em Angola

Apesar do crescente impacto das alterações climáticas, apenas 5% dos agricultores sabem o que é um seguro agrícola. Mas quase oito em cada 10 agricultores afirmam que adeririam a um seguro indexado se o preço fosse acessível. A reduzida oferta e a falta de educação financeira continuam a limitar este mercado. Preparação da terra para futura plantação agrícola na Fazenda Santo António, Kibala. A agricultura continua a ser apontada como um dos principais motores da diversificação da economia angolana, mas permanece praticamente desprotegida perante os riscos climáticos e produtivos que ameaçam milhares de explorações agrícolas todos os anos. Um estudo da consultora Dalberg, realizado nas províncias de Malanje, Cuanza Sul, Huambo, Benguela, Bié e Huíla, revela que apenas 5% dos agricultores e agregados familiares conhecem o que é um seguro agrícola, deixando os restantes 95% completamente expostos a perdas provocadas por secas, inundações e outros sinistros. Os resultados evidenciam que o principal obstáculo à expansão deste mercado continua a ser a falta de literacia financeira e seguradora. Embora o preço seja apontado como um factor relevante, o desconhecimento sobre a utilidade do produto surge como a primeira barreira à sua massificação, o que ajuda a explicar porque razão o seguro agrícola continua a ter uma expressão residual num sector que emprega mais de metade da população activa do País. O levantamento identifica igualmente outros factores que afastam os produtores desta modalidade de protecção. Cerca de 28% dos agricultores consideram os prémios demasiado elevados, enquanto 11% referem falta de transparência nos processos. Outros 8% entendem que a reduzida dimensão das áreas cultivadas não justifica a contratação de uma apólice e 6% afirmam simplesmente não encontrar produtos adaptados às características das suas regiões. Apesar destas limitações, o estudo deixa um sinal de que existe potencial para o desenvolvimento deste mercado. Se o preço deixasse de ser um entrave, 84% dos agricultores afirmam que estariam disponíveis para aderir a um seguro agrícola indexado, um modelo que associa as indemnizações a indicadores objectivos, como precipitação ou produtividade, reduzindo custos de avaliação e acelerando os pagamentos. Contudo, quando questionados sobre quanto estariam dispostos a pagar, os pequenos produtores revelaram dificuldades em definir um valor concreto para o prémio. Ainda assim, os agricultores de feijão e soja admitem suportar um custo equivalente a cerca de 8% da receita anual obtida com a venda da produção, enquanto os produtores de arroz apontam para 10% e os de milho para apenas 4%. Em termos monetários, as famílias inquiridas afirmam estar dispostas a investir, em média, 118.424 kwanzas por ano na contratação de um seguro agrícola. No entanto, o valor mediano baixa para apenas 26.100 kwanzas, uma diferença que o próprio estudo interpreta como sinal de que a disponibilidade para pagar montantes mais elevados está concentrada nos produtores de maior dimensão e capacidade financeira. Também ao nível das formas de pagamento existe uma preferência clara por soluções tradicionais. Cerca de 65% dos agricultores preferem pagar o prémio em dinheiro, enquanto apenas 32% optam pela transferência bancária. Relativamente ao calendário de pagamento, 30% defendem a liquidação integral no momento da colheita, 21% preferem dividir o valor em duas prestações durante esse período e 18% optariam pelo pagamento total no início do ano agrícola. Apenas 4% demonstram interesse em efectuar pagamentos mensais. No que respeita às coberturas consideradas prioritárias, a seca surge destacadamente como o principal risco que os agricultores pretendem transferir para uma seguradora, seguindo-se as inundações e os deslizamentos de terra. Em sentido inverso, fenómenos como ventos fortes, incêndios, roubo de equipamentos, pragas, doenças, oscilações extremas de temperatura e ataques de gafanhotos são vistos como riscos de menor prioridade. A reduzida adesão ajuda a explicar o peso praticamente insignificante deste ramo no mercado segurador nacional. Segundo dados da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), o seguro agrícola representou apenas 3,93% do volume total de prémios emitidos no primeiro trimestre deste ano, período em que o mercado segurador arrecadou 179.382 milhões de kwanzas em prémios

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