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Corredor do Lobito é essencial para inverter empobrecimento de Angola, alerta Banco Mundial
Instituição financeira defende que diversificação da economia depende mais de reformas institucionais do que de infraestruturas.
O Banco Mundial prevê que a economia angolana cresça, em média, 2,7% até 2028 — um ritmo inferior ao crescimento populacional, estimado em 3,1% —, defendendo que o desenvolvimento do Corredor do Lobito é decisivo para garantir a diversificação económica do país, considerada “urgente e necessária”.
De acordo com o Relatório Económico de Angola, divulgado esta semana em Luanda, o crescimento deverá manter-se modesto entre 2026 e 2028, sustentado sobretudo pela economia não petrolífera. Com a continuada quebra do rendimento per capita, a instituição estima que cerca de quatro em cada dez angolanos continuem em situação de pobreza até 2027. O relatório sublinha ainda que a expansão económica dos últimos anos não foi suficiente para reverter uma tendência de 15 anos de queda do rendimento por habitante.
Corredor do Lobito como motor de diversificação
O documento, intitulado “De Trânsito à Transformação: O Corredor do Lobito como Motor de Diversificação Económica e Integração Regional”, analisa o potencial desta ligação ferroviária, que liga a República Democrática do Congo e a Zâmbia ao porto do Lobito, no litoral angolano. Segundo o Banco Mundial, o corredor representa uma oportunidade para reduzir custos logísticos, melhorar a conectividade regional e atrair investimento para lá do sector extractivo e dos grandes centros urbanos. A instituição ressalva, no entanto, que aproveitar esse potencial exige, acima de tudo, reformas institucionais para além de investimentos em infraestruturas.
O relatório aponta que os sectores não petrolíferos — com destaque para a agricultura, beneficiada por reformas estruturais em curso — deverão ser o principal motor da economia angolana, num contexto de produção petrolífera em declínio. Prevê-se ainda uma redução gradual da dívida pública, que deverá situar-se nos 49,1% do PIB em 2027.
Para o Banco Mundial, a combinação entre quebra de rendimento, subida de preços e forte dependência de um recurso em esgotamento reforça a urgência de diversificar a economia angolana. A instituição alerta que essa dependência do petróleo alimenta um ciclo de instabilidade que tem dificultado o desenvolvimento de outros sectores, impedindo o país de gerar ganhos de produtividade e receitas fiscais suficientes para melhorar as condições de vida da população.
Impacto social das fragilidades estruturais
Sem recursos suficientes para investir, alertam os economistas da instituição, Angola corre o risco de perpetuar problemas como a baixa produtividade, a precariedade laboral e a insuficiência de serviços públicos. O relatório destaca que, na última década, a proporção de jovens fora do sistema de ensino subiu de 25% para quase 37%, e que quatro em cada dez crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica.
O Banco Mundial identifica como vulnerabilidades estruturais de Angola a dependência do petróleo, a quebra de produtividade laboral, o baixo nível de capital humano e as fragilidades institucionais, considerando essencial superá-las para alcançar um crescimento inclusivo e resiliente. Entre as reformas prioritárias, a instituição recomenda a continuação da racionalização dos subsídios aos combustíveis — acompanhada de protecção adequada às famílias de baixos rendimentos —, o reforço da mobilização de receitas internas e o investimento em educação, saúde e conectividade.
Por fim, o relatório conclui que a melhoria do ambiente de negócios, de forma a estimular o sector privado e a criação de emprego, aliada a uma gestão eficaz dos riscos associados à volatilidade dos preços do petróleo, será determinante para que Angola consiga transitar para uma economia mais diversificada, competitiva e inclusiva.
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