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Cinco fábricas de materiais de construção instalam-se em parque industrial privado

Cinco fábricas de materiais de construção instalam-se em parque industrial privado

Novo parque industrial nasce no Icolo e Bengo e vai juntar no mesmo espaço várias fábricas de materiais de construção. Objectivo é dinamizar o mercado nacional e, mais tarde, abrir portas à exportação. Sector da construção diz que investimento chinês é bem-vindo. Um grupo económico chinês vai investir 80 milhões USD no Icolo e Bengo num parque industrial de iniciativa privada, onde irá instalar cinco unidades industriais para a produção de materiais de construção. Sector da construção admite que este pode ser um passo importante para baixar os custos das casas. Os preços dos materiais de construção, com o cimento à cabeça, têm registado aumentos significativos nos últimos anos, sobretudo devido à desvalorização do kwanza, o que tem adiado a conclusão de vários projectos imobiliários e o sonho da casa própria de milhares de famílias. O parque Industrial de iniciativa privada, Phoenix Bridge, na província do Icolo e Bengo, surge numa altura em que alguns especialistas defendem a diminuição do IVA para esses materiais com vista à diminuição de preços num país onde existe um défice habitacional de 3,3 milhões de casas. Numa primeira fase foram investidos 30 milhões USD de um total de 80 milhões USD. O complexo industrial integra cinco unidades fabris especializadas na produção de materiais para a construção civil, com destaque para a fábrica de cabos e fios eléctricos, uma fábrica de placas de poliestireno extrudido (XPS) e painéis sanduíche isolantes, com capacidade de produção anual de 500 metros quadrados. Foram instaladas ainda uma fábrica de pedra natural, uma de produtos de madeira e uma de condutas de ventilação em chapa galvanizada. Além de responder a parte significativa da procura interna de materiais de construção, contribuindo para a redução de preços, o empreendimento cria condições para o aumento das exportações industriais. A segunda fase do investimento prevê a expansão da capacidade produtiva e a entrada progressiva nos mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). As fábricas empregam atualmente 180 trabalhadores, na sua maioria angolanos e está prevista a contratação de mais 500 trabalhadores nacionais antes do arranque da segunda fase, em 2027. Ao Expansão, o director Song Zhuoya, de nacionalidade chinesa, referiu que a empresa pretende introduzir processos de fabrico de ponta e padrões de qualidade internacionais. "A fábrica elevará o nível de fabrico de materiais de construção em Angola, permitindo que o País produza materiais de alta qualidade, atingindo o padrão CE, que permite a exportação para a Europa", disse, acrescentando que o objectivo é, também, colocar fim à histórica dependência da importação de produtos similares que antes só podiam ser adquiridos no exterior. A prioridade é a utilização de matéria-prima local, dai que as fábricas de mármore e de madeira utilizam insumos nacionais das províncias da Huíla, Namibe e do Uíge. Para Carlos Cardoso, presidente da Associação das Indústrias de Materiais de Construção de Angola (AIMCA), qualquer investimento na indústria de materiais de construção é sempre bem-vindo. O importante, defende, é que esta produção se traduza em produtos de qualidade, disponíveis no mercado nacional e a preços competitivos. Nota que actualmente grande parte deste segmento é abastecido por produtos importados e comercializados muitas vezes com uma relação preço/qualidade que deixa muito a desejar. Por isso, destaca, se esta nova indústria conseguir elevar o padrão de qualidade e competir em preço será um ganho significativo para o sector da construção e para as famílias. "Esta iniciativa abre uma janela de oportunidades para fortalecer o mercado nacional, aumentar a concorrência e, consequentemente, criar condições para preços mais atractivos", afirma. O responsável defende ainda que parte significativa da produção seja destinada ao mercado interno e só depois de suprir as necessidades de consumo interno o remanescente seja destinado à exportação. "Só assim será possível gerar um impacto real na redução dos custos dos materiais de construção e contribuir para o desenvolvimento da indústria nacional", enfatiza.

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