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Carbono pode abrir uma nova economia de milhares de milhões USD para Angola
Florestas, mangais e até a redução da queima de gás podem transformar-se em activos financeiros capazes de atrair investimento internacional. Créditos de carbono, financiamento climático e novos investimentos podem criar uma indústria praticamente inexistente no País. Mas o sucesso dependerá da capacidade de construir um mercado transparente, regulado e reconhecido internacionalmente.
Toucha ou flare da Refinaria de Luanda, durante a queima de compostos gasosos para evitar descarte de gases inflamáveis ou tóxicos para a atmosfera.
A Associação Angolana do Mercado de Carbono (AAMC) pretende posicionar Angola como um dos principais centros africanos de investimento climático, estabelecendo como meta mobilizar mais de 500 milhões de euros em investimento verde, lançar uma carteira inicial de 25 projectos de carbono e criar uma plataforma nacional para desenvolver esta nova economia ambiental.
O chamado mercado de carbono deixou de ser apenas um conceito ambiental para passar a integrar a estratégia económica de governos, multinacionais e instituições financeiras. Para um país como Angola, que procura reduzir a dependência petrolífera, este poderá tornar-se um dos mais importantes instrumentos de diversificação económica da próxima década.
Durante décadas, Angola habituou-se a olhar para as suas florestas, mangais, rios e biodiversidade como património ambiental ou, no máximo, como recursos a preservar. Hoje, a economia mundial começa a atribuir-lhes um novo valor, podem transformar-se em activos financeiros capazes de gerar receitas, atrair investimento externo e criar uma nova indústria exportadora baseada na descarbonização.
O princípio económico é relativamente simples. Empresas, governos ou organizações que continuam a emitir dióxido de carbono (CO₂) podem compensar parte dessas emissões comprando créditos de carbono gerados por projectos que retiram carbono da atmosfera ou evitam novas emissões. Cada crédito corresponde, normalmente, à redução ou remoção de uma tonelada de CO₂ equivalente.
Na prática, uma empresa europeia poderá financiar a recuperação de uma floresta em Angola, a redução da queima de gás natural nos campos petrolíferos, a conservação dos mangais ou um projecto agrícola regenerativo. Depois de certificadas por entidades internacionais, essas reduções transformam-se em créditos transaccionáveis que podem ser vendidos nos mercados internacionais.
É exactamente esta capacidade de transformar activos naturais em activos financeiros que explica o crescente interesse internacional pelo continente africano. Actualmente, os compradores privilegiam créditos de elevada qualidade, certificados por metodologias rigorosas e capazes de demonstrar reduções permanentes de emissões.
A diferença de preços é significativa. Enquanto créditos considerados de elevada integridade ambiental podem atingir cerca de 14,8 dólares por tonelada, créditos de menor qualidade são transaccionados por apenas 3,5 dólares. O mercado voluntário movimentou aproximadamente 1,4 mil milhões USD em 2024, mas várias projecções apontam para um crescimento entre 7 e 35 mil milhões USD até 2030, podendo ultrapassar os 250 mil milhões USD em 2050.
Poucos países africanos reúnem uma combinação tão favorável de recursos naturais e sectores emissores passíveis de gerar créditos. Segundo os documentos apresentados pela AAMC, cerca de 84%
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