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Câmbio: BNA Moderadamente Estável, Mercado Informal Mantém Prémio Elevado
As taxas de câmbio de referência divulgadas hoje pelo Banco Nacional de Angola (BNA) demonstram uma estabilidade relativa face ao Dólar Americano (USD), fixando-se em 912,13 Kwanzas, tanto para a compra quanto para a venda, com uma ligeira depreciação de 0,01%. O Euro (EUR) regista uma apreciação marginal, atingindo 1074,49 Kwanzas em ambas as operações. Esta moderação, no entanto, contrasta com a persistência de um diferencial significativo entre as taxas oficiais e as praticadas no mercado informal, conhecido como Kinguila.
A análise das cotações dos bancos comerciais revela uma dispersão notável. No caso do USD, por exemplo, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) apresenta *spreads* (diferença entre preço de compra e venda) mais amplos, cotando o dólar a 956,34 Kwanzas na compra e 975,47 Kwanzas na venda. Outras instituições, como o Banco de Comércio e Indústria (BCI), oferecem taxas mais próximas das do BNA. Esta variabilidade pode reflectir diferentes estratégias de gestão de liquidez e percepção de risco por parte de cada banco. A maior diferença do BNA para os bancos comerciais está no XAF, com alguns bancos como o BCA a apresentar diferenças muito grandes.
O mercado informal, por sua vez, continua a exibir um prémio elevado. A cotação do USD no Kinguila atinge 1070 Kwanzas na compra e 1100 Kwanzas na venda, apesar de uma ligeira descida de 0.93%. A depreciação de 0.01% do USD para AOA pode influenciar o mercado formal do país, no entanto, o euro (EUR) registra uma apreciação, cotado a 1260 Kwanzas na compra e 1300 Kwanzas na venda. Este diferencial acentuado sugere a persistência de pressão cambial e a dificuldade de acesso à moeda estrangeira através dos canais oficiais, levando agentes económicos a recorrerem ao mercado paralelo.
A política cambial do BNA tem procurado garantir a estabilidade da moeda nacional, mas a disparidade com o mercado informal levanta questões sobre a eficácia das medidas implementadas. A disponibilidade de divisas no mercado formal e a percepção de risco em relação à economia angolana continuam a ser factores determinantes na formação das taxas de câmbio. A tendência de estabilidade observada nas taxas de referência do BNA poderá ser um sinal positivo, mas o acompanhamento atento da evolução do mercado informal e das práticas dos bancos comerciais é crucial para uma avaliação mais completa do cenário cambial angolano.
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