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BNA faz 10.º corte desde 2017 e prolonga maior ciclo de "desapertos"

BNA faz 10.º corte desde 2017 e prolonga maior ciclo de "desapertos"

A desinflação continua a pautar caminho e o BNA volta a segui-lo, com o quinto desaperto consecutivo da política monetária no espaço de um ano. O banco central aponta a uma inflação abaixo de um dígito até final do ano, o que só aconteceu em três anos neste século. Um retrato macroeconómico que, pela coincidência do calendário, faz ecoar o cenário vivido em 2022, também em vésperas de eleições O ciclo de desaperto da política monetária em Angola continua, depois de o Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) ter decidido voltar a reduzir as taxas directoras. Além de um corte de 1,5 pontos percentuais à principal taxa directora, o banco central reviu novamente em baixa a projecção da inflação para 8,6% no final do ano, com uma margem de erro de mais ou menos um ponto percentual. Trata-se do 10.º corte desde 2017, num período em que houve apenas cinco aumentos das taxas directoras. Este ciclo ocorreu ao longo de quase 10 anos marcados por picos e descidas da inflação, fortes desvalorizações cambiais e posteriores valorizações (antes das eleições de 2022), bem como oscilações acentuadas dos preços do petróleo, factores que obrigaram o BNA a adoptar medidas para responder a estas variações. Assim, este é o maior ciclo consecutivo de desaperto da política monetária desde que há registos, com cinco cortes consecutivos iniciados em Novembro de 2025, em resposta à trajectória de desaceleração da inflação. Só para se ter uma ideia, em Junho deste ano, a taxa de inflação homóloga caiu para 10,1%, representando uma redução de 9,4 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado, o nível mais baixo desde que há registos mensais do Instituto Nacional de Estatística (INE). "A decisão de reduzir as taxas de política monetária fundamenta-se na desaceleração consistente da inflação observada, bem como na perspectiva da manutenção dessa tendência no curto prazo", justificou o governador do banco central, Tiago Dias. Assim, o Comité de Política Monetária decidiu reduzir a taxa directora (Taxa BNA) em 1,5 pontos percentuais, de 18,0% para 15,75%. O BNA decidiu igualmente cortar em 1,25 pontos percentuais a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, de 18,0% para 16,75%, bem como reduzir a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, de 16,0% para 14,75%. Os cortes nas taxas de juro já eram esperados pelo mercado, tendo em conta a trajectória descendente da inflação homóloga, que continua muito abaixo das taxas directoras do banco central. Actualmente, existe uma diferença de 5,65 pontos percentuais entre a taxa directora e a inflação homóloga, o que abre espaço para um maior alívio da política monetária nos próximos meses, caso a inflação mantenha a trajectória de desaceleração. No entanto, a expectativa é de que esta redução dos juros contribua para dinamizar o mercado monetário interbancário e favoreça, igualmente, uma descida gradual das taxas de juro aplicadas ao...

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