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Bloco 15 celebra 32 anos com governo a pedir mais: “superem o milhão de barris por dia”

Bloco 15 celebra 32 anos com governo a pedir mais: “superem o milhão de barris por dia”

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, esteve esta segunda-feira, em Luanda, reunido com o director-geral da ExxonMobil Angola, Brian Unietis, na cerimónia comemorativa dos 32 anos do início das operações do Bloco 15, um dos activos petrolíferos mais produtivos da história angolana, situado a cerca de 145 quilómetros da costa norte do país. Na ocasião, o governante angolano aproveitou o momento simbólico não apenas para assinalar o percurso do bloco, mas para lançar um desafio directo à indústria: ultrapassar a meta de um milhão de barris de petróleo produzidos por dia em todo o país. O Bloco 15 começou a sua exploração a 23 de Agosto de 1994, e as suas operações comerciais arrancaram em 2003 — desde então, o activo já realizou 18 descobertas comerciais e tornou-se o principal motor da produção petrolífera angolana, tendo chegado a produzir mais de 600 mil barris de petróleo por dia no seu período de maior actividade. Ao longo destas três décadas, o bloco já produziu, no total, cerca de 2,7 mil milhões de barris de petróleo — um volume que o consolida como um dos activos mais relevantes já explorados em Angola. O bloco é operado pela Esso Exploration Angola Limited, subsidiária da ExxonMobil, que detém 36% de participação, ao lado da BP Exploration (24%), da Eni Angola Exploration (18%) e da Equinor Angola Block 15, entre outros parceiros do consórcio, que inclui ainda a Sonangol E&P na qualidade de participante estatal. Este ano, a data assinalada ganha um significado adicional: em Julho de 2025, a licença de produção do Bloco 15 foi estendida até 2037, garantindo segurança fiscal e jurídica de longo prazo para novos investimentos de revitalização do activo — uma extensão que, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), abrange também os campos de Kizomba A e Kizomba B, que passam a integrar uma única área de desenvolvimento conjunta com o Kizomba C. O desafio da angolanização e a produção nacional Na cerimónia desta segunda-feira, Diamantino Azevedo manifestou satisfação com o facto de o Bloco 15 ter já atingido 95% de angolanização — ou seja, a proporção de trabalhadores angolanos integrados nas operações do bloco. Ainda assim, o ministro deixou um apelo directo aos operadores presentes: reforçar a participação de prestadores de serviço angolanos na actividade produtiva, um desafio que, segundo Azevedo, não depende apenas das empresas operadoras internacionais, mas também da capacidade das próprias empresas angolanas de serem “mais afoitas” e procurarem activamente maior participação nesta fase da cadeia produtiva. O ministro pediu ainda uma reflexão conjunta sobre a qualidade dos projectos sociais desenvolvidos pelas operadoras no país. Mais amplamente, Diamantino Azevedo aproveitou a ocasião para fazer um balanço da produção petrolífera nacional, afirmando que Angola já ultrapassou o desafio de estabilizar a sua produção de crude — um objectivo que tinha sido central para o sector nos últimos anos, depois de um período de declínio acentuado da produção nacional face aos níveis registados na década anterior. Com esse desafio considerado superado, o ministro apelou agora aos operadores para irem mais além, e conseguirem ultrapassar a fasquia de um milhão de barris de petróleo produzidos por dia em todo o país — uma meta ambiciosa, que reflecte a aposta do Governo angolano em recuperar parte do protagonismo que o país teve historicamente como um dos maiores produtores de petróleo de África. O papel da ExxonMobil na estratégia de recuperação da produção O Bloco 15 tem sido, nesse sentido, um dos principais instrumentos dessa estratégia. Sob a liderança de Brian Unietis, que assumiu a gestão da ExxonMobil Angola no final de 2025, a companhia tem seguido aquilo que a própria empresa descreve como uma estratégia de “duplo eixo”: maximizar a produção de activos já existentes, ao mesmo tempo que abre novas frentes de exploração offshore. Um dos marcos mais recentes dessa estratégia foi a Decisão Final de Investimento, confirmada em Novembro de 2025 pela ANPG, pela ExxonMobil e pelos restantes parceiros do Bloco 15 — Azule Energy, Equinor e Sonangol E&P —, para prolongar a vida útil das instalações de Mondo e Saxi-Batuque até 2032, no âmbito do chamado Projecto de Extensão de Vida do Bloco 15, também conhecido como Projecto Kizomba C. Segundo a ExxonMobil, este processo de revitalização de activos maduros tem sido acompanhado por investimentos superiores a três mil milhões de dólares por parte dos investidores do bloco, com o objectivo de recuperar recursos adicionais, optimizar infraestruturas já existentes e garantir a continuidade da produção. Este ano, a empresa avançou ainda com um contrato de grande dimensão adjudicado à Subsea7 para o redesenvolvimento do campo de Likembe, outro dos projectos que a ExxonMobil identifica como central para sustentar a produção angolana acima do milhão de barris diários — precisamente a meta que o ministro Diamantino Azevedo voltou a sublinhar nesta cerimónia dos 32 anos do bloco. Um activo que continua a definir o rumo do sector petrolífero angolano Para a ANPG, casos como o do Bloco 15 são apresentados como exemplo do caminho que o Governo angolano quer replicar noutros activos petrolíferos maduros do país: em vez de deixar campos antigos entrarem em declínio irreversível, procurar soluções técnicas e modelos contratuais inovadores — como extensões de licença e adendas aos contratos de partilha de produção — que permitam prolongar a vida útil das infra-estruturas e maximizar o valor dos recursos remanescentes. Volvidas mais de três décadas desde o início da exploração, o Bloco 15 continua, assim, a ser tratado pelo Governo angolano não apenas como uma peça histórica do sector petrolífero nacional, mas como um modelo activo da estratégia que Angola tenta agora aplicar ao conjunto da sua indústria de petróleo e gás.

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