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BFA reduz previsão de inflação em Angola para 10,2% este ano
O Banco de Fomento Angola (BFA) reviu em baixa a sua previsão de inflação para Angola em 2026, para uma média anual de 10,2% e um valor de 7,8% no final do ano, uma tendência de desaceleração também reconhecida pelo Banco Nacional de Angola — que reviu a sua estimativa para 8,6% — e pelo Fundo Monetário Internacional, que projecta uma inflação média de 12,9% este ano, num contexto de estabilidade cambial e aumento da oferta interna que poderá levar o país aos níveis de inflação mais baixos desde 2015.
O gabinete de estudos económicos do Banco de Fomento Angola (BFA) reviu em baixa a sua previsão para a inflação em Angola, antecipando agora uma subida média dos preços de 10,2% este ano, com o índice a fechar 2026 nos 7,8%.
“A previsão para a inflação média anual foi reduzida de 12,6% para 10,2%, enquanto a estimativa para a inflação no final do ano passou de 11,2% para 7,8%”, escrevem os analistas do BFA num comentário enviado aos clientes, a que a Lusa teve acesso, sobre a tendência de descida da inflação registada nos últimos meses.
Segundo os economistas do banco, caso este cenário se confirme, Angola poderá registar os níveis de inflação mais baixos desde o início da actual série estatística, em 2015 — um resultado que reforça também a expectativa de continuação do ciclo de redução das taxas de juro por parte da autoridade monetária. O BFA antevê que o Banco Nacional de Angola (BNA) proceda a “novos cortes nas reuniões de Setembro e Novembro”, descendo a taxa de referência para os empréstimos bancários para cerca de 13,5%.
“Mantendo a tendência actual da variação mensal dos preços, a inflação homóloga poderá descer para cerca de 9,1% já no próximo mês, situando-se a um nível inferior a dois dígitos pela primeira vez desde que há registo, e continuando a diminuir gradualmente ao longo do ano”, acrescentam os analistas.
Câmbio estável e mais importações travam subida dos preços
O BFA aponta dois factores como principais motores da desaceleração da inflação: por um lado, a estabilidade da taxa de câmbio desde o final de 2024, que tem reduzido significativamente os efeitos de contágio (pass-through) sobre os preços internos; por outro, o aumento da disponibilidade de divisas, que tem permitido uma expansão das importações de bens e serviços e reforçado a oferta no mercado interno.
Num contexto de aumento da produção nacional — que amplia a disponibilidade de bens produzidos localmente —, o banco destaca ainda que Angola não está a absorver os recentes choques internacionais sobre os preços das matérias-primas, posicionando-se assim em contraciclo face à tendência observada em várias economias, onde persistem pressões inflacionistas.
BNA também reviu previsão em baixa
A previsão do Banco Nacional de Angola para a inflação no final de 2026 foi igualmente revista em baixa, para 8,6%, enquanto a estimativa de crescimento económico subiu para 3,6%, anunciou em meados de Julho o governador do BNA, Manuel Tiago Dias.
“Não se vislumbrando pressões inflacionistas nos próximos meses, o Comité de Política Monetária reviu em baixa a projecção da taxa de inflação para 8,6% no final do ano de 2026, com um desvio de mais ou menos um ponto percentual”, afirmou o governador, no final da 130.ª Reunião Ordinária do órgão, em Malanje. Na reunião anterior, realizada em Maio, a projecção do banco central apontava ainda para 11,5%.
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga fixou-se em 10,11% em Junho, face aos 19,73% registados no mesmo mês do ano passado, confirmando a trajectória de desaceleração dos preços. A taxa de inflação mensal situou-se em 0,52% em Junho, ligeiramente abaixo dos 0,53% de Maio, reflectindo o abrandamento dos preços da classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, apesar dos ajustes nos preços do gasóleo (5%), das tarifas de electricidade (10%) e dos transportes públicos ferroviários urbanos e suburbanos (50%).
Quanto ao crescimento económico, a previsão do PIB para 2026 foi revista em alta, de 3,5% para 3,6%, devido ao impacto positivo do sector não petrolífero, cujo crescimento estimado é de 4,32%. Segundo dados do INE, o PIB angolano cresceu 5,32% no primeiro trimestre do ano, impulsionado pela actividade não petrolífera (6,22%), enquanto o sector petrolífero contraiu 0,21%.
Instituições internacionais também apontam para desaceleração
As previsões dos organismos financeiros internacionais seguem a mesma tendência de queda. O Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório anual sobre Angola divulgado em Maio, projectouuma descida da inflação média anual de 20,2% em 2025 para 12,9% em 2026, associando essa evolução à política monetária restritiva do BNA, ainda que alertando para riscos ligados à volatilidade dos preços do petróleo e às pressões sobre as contas públicas. Já numa avaliação anterior, em Dezembro de 2025, a instituição apontava para uma inflação de 17,2% no final de 2025, num processo de “normalização gradual” após os choques associados à depreciação cambial e aos ajustamentos fiscais dos anos anteriores.
As diferentes projecções — do BFA, do BNA e do FMI — convergem assim numa mesma leitura: a de que Angola atravessa um processo consistente de desinflação, ainda que as instituições internacionais mantenham estimativas ligeiramente mais conservadoras do que as do banco central e da banca comercial angolana.
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