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Bancos compraram mais 1.125,6 milhões USD em divisas mas kwanza mantém-se "preso" face ao dólar
Média mensal de divisas só cobre metade das necessidades de importações de bens e serviços. Entretanto, a aparente estabilidade do kwanza face ao dólar contrasta com as distorções no euro. Especialistas alertam que manter a taxa de câmbio face ao dólar praticamente inalterada ao longo do próximo ano poderá tornar-se cada vez mais dispendioso, sobretudo se a redução das reservas internacionais persistir.
Os bancos garantiram 6.679,1 milhões USD em divisas no primeiro semestre do ano, o que representa um crescimento de 20% face aos primeiros seis meses do ano passado. Na prática, as instituições financeiras compraram mais 1.125,6 milhões USD do que no período homólogo, de acordo com cálculos do Expansão com base em dados do Banco Nacional de Angola (BNA).
Contas feitas, os bancos adquiriram, em média, 1.113 milhões USD por mês, um valor que continua a ser insuficiente para responder às necessidades da economia, cobrindo apenas cerca de metade da factura mensal de importações de bens e serviços do País.
A maior parte das divisas continua a ter origem no sector petrolífero, responsável por 37% das vendas de moeda estrangeira aos bancos. Entre Janeiro e Junho, as petrolíferas venderam 2.484,7 milhões USD, ainda assim, foram menos 102,3 milhões face ao período homólogo.
Seguem-se os clientes (categoria que inclui os clientes bancários) que venderam aos bancos 1.788,3 milhões USD no primeiro semestre, mais 351,4 milhões do que no mesmo período do ano anterior. Já o sector diamantífero vendeu 680,0 milhões USD, um aumento de 33,0 milhões em termos homólogos.
No caso dos organismos institucionais, o destaque vai para o Tesouro Nacional, que vendeu 1.407,0 milhões USD nos primeiros seis meses do ano, contra 820,4 milhões no período homólogo, o equivalente a um aumento de 586,6 milhões USD, ou seja, as vendas do tesouro para banca disparam 71%. Por sua vez, as vendas pontuais do BNA ascenderam a 319,1 milhões USD, mais 256,8 milhões do que no primeiro semestre do ano passado. Embora as petrolíferas tenham vendido menos moeda aos bancos, o Tesouro e banco central compensaram essa redução com um aumento significativo das suas vendas.
O cenário faz lembrar o registado em 2022, ano eleitoral, quando o Tesouro colocou grandes quantidades de divisas no mercado, contribuindo para uma forte apreciação do kwanza. A factura dessa estratégia surgiu logo após as eleições, quando o Tesouro reduziu significativamente as vendas de moeda estrangeira e o kwanza iniciou o maior ciclo de depreciação da sua história, cujos...
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