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Banco Mundial revê crescimento de Angola em baixa e FMI mantém cenário moderado para a região

Banco Mundial revê crescimento de Angola em baixa e FMI mantém cenário moderado para a região

A economia angolana deverá crescer 2,4% em 2026, segundo o mais recente relatório do Banco Mundial, uma revisão em baixa que confirma o impacto prolongado dos choques externos e da fragilidade do sector petrolífero. As projecções contrastam ligeiramente com as leituras mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), que mantém um cenário globalmente estável para a África subsaariana, mas também sem sinais de aceleração significativa para Angola. O relatório Africa Economic Update, divulgado em Washington durante as reuniões da primavera do Banco Mundial e do FMI, sublinha que Angola continua a sentir os efeitos de uma década de choques sucessivos, com o PIB per capita em 2026 ainda mais de 25% abaixo dos níveis de 2014. Enquanto o Banco Mundial projecta uma expansão abaixo de 3% até 2027, o FMI aponta igualmente para um crescimento moderado e dependente da evolução do petróleo, destacando a vulnerabilidade dos países exportadores de matérias-primas à volatilidade dos mercados energéticos. Apesar de Angola beneficiar da subida do preço do crude — que chegou a ultrapassar os 110 dólares por barril em Março devido ao conflito no Médio Oriente — o impacto positivo é mitigado pela forte dependência de importações de combustíveis refinados, como gasolina e gasóleo. O sector petrolífero angolano registou uma contração de 1,21% em 2025, penalizado pelo declínio dos campos maduros e por interrupções na produção. A recuperação esperada para 2026 é considerada pelo Banco Mundial como insuficiente para alterar de forma significativa o ritmo de crescimento da economia. No plano fiscal, o relatório destaca a melhoria das contas públicas, com a dívida pública a descer de 59,3% do PIB em 2024 para 52,3% em 2025. Esta evolução é igualmente reconhecida em análises do FMI, que sublinha a consolidação orçamental, embora alerta para o peso elevado do serviço da dívida externa sobre as finanças do Estado. O investimento continua, porém, a ser um dos principais constrangimentos estruturais. O investimento per capita mantém-se abaixo dos níveis de 2014, reflectindo uma quebra mais acentuada no investimento público e limitações persistentes no investimento privado. Tanto o Banco Mundial como o FMI alertam para o fraco crescimento da produtividade, associado a défices de qualificação e de capital humano, o que limita a diversificação económica. Como principal aposta estratégica, o Banco Mundial destaca o Corredor do Lobito — infraestrutura ferroviária de 1.344 quilómetros que liga o porto de Lobito à Zâmbia e à República Democrática do Congo — como potencial motor de industrialização regional, em linha com as iniciativas de integração económica apoiadas também pelo FMI. Para a África subsaariana, as duas instituições convergem numa projeção de crescimento em torno dos 4% em 2026, mas alertam para riscos crescentes associados ao conflito no Médio Oriente, ao elevado endividamento e às fragilidades estruturais persistentes.

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