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Balança comercial de Angola cai 31,5% em 2025 – petróleo pesa, diamantes salvam

Balança comercial de Angola cai 31,5% em 2025 – petróleo pesa, diamantes salvam

A balança comercial de Angola deteriorou-se 31,5% em 2025, segundo o Anuário de Estatísticas do Comércio Externo divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O saldo continua positivo — mas caiu de 17,6 mil milhões de dólares em 2024 para cerca de 12,1 mil milhões de dólares em 2025, uma perda de mais de cinco mil milhões num único ano. A deterioração resulta de um duplo movimento desfavorável: as exportações recuaram 11,5%, para 26,5 mil milhões de dólares, enquanto as importações cresceram 16,9%, para 14,4 mil milhões de dólares. A taxa de cobertura das importações pelas exportações caiu de 242,5% para 183,5% — ainda confortável, mas em queda acentuada. O principal responsável pela queda das exportações é o petróleo bruto, que representa mais de 90% do total exportado — cerca de 24,2 mil milhões de dólares — e recuou 14,2% face a 2024. A causa é dupla: menor volume exportado e descida dos preços internacionais do crude, que continuam a ser o principal determinante da saúde das contas externas angolanas. A concentração nas exportações petrolíferas expõe Angola a uma vulnerabilidade conhecida e não resolvida: quando os preços caem ou a produção recua, o impacto na balança comercial é imediato e de grande amplitude. Os diamantes como exceção Num quadro de deterioração generalizada, os diamantes foram a nota positiva. As exportações de pedras e metais preciosos cresceram 21,2%, para cerca de 1,5 mil milhões de dólares, impulsionadas pela mina do Luele — que iniciou produção no terceiro trimestre de 2024 e quase duplicou os quilates exportados em 2025. A nova mina, inaugurada pelo Presidente João Lourenço em novembro de 2023, está a transformar o perfil do sector diamantífero angolano e a ganhar peso nas exportações totais. Ainda assim, os diamantes representam uma fração pequena do total exportado — suficiente para amortecer, mas não para compensar a queda do petróleo. China absorve quase metade das exportações No lado dos destinos, a concentração geográfica das exportações angolanas continua a ser um fator de risco. A China absorve 47% do total exportado, seguida da Índia com 11,8% e da Indonésia com 6,4%. Os cinco maiores destinos concentram mais de 76% das exportações totais — o que significa que qualquer perturbação na procura de um desses mercados tem impacto direto e imediato nas contas externas de Angola. A leitura dos números de 2025 é clara: Angola cresceu nas exportações de diamantes, importou mais e exportou menos petróleo. O saldo continua positivo — mas a margem estreitou-se, e a dependência estrutural do crude continua a ser o principal risco da economia angolana perante um mercado internacional cada vez mais imprevisível.

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