Voltar ao Início
Aviso 10 do BNA já vale 70%  do crédito à economia real

Aviso 10 do BNA já vale 70% do crédito à economia real

Por cada 1.000 Kz que a banca tem emprestados a sociedades não financeiras, 700 Kz resultam deste instrumento criado pelo BNA em 2020 que obriga as instituições bancárias a cobrar apenas 7,5% de juros. Mas a economia precisa de mais já que o crédito ao sector privado está seis vezes abaixo da média da SADC. Governo pagou ao BNA com títulos de dívida a taxas de juro entre 5% e 6%, abaixo da taxa de juro média do serviço da dívida, que ronda os 8,4% Foto: César Magalhães O Aviso 10 do BNA já é responsável por 70% do stock de crédito a sociedades não financeiras, ou seja, a economia real, segundo o relatório de avaliação do FMI ao abrigo do artigo IV, consultado pelo Expansão. Desde 2020 que o sector privado empresarial depende fortemente deste "empur rão" regulatório do banco central para conseguir financiamento a taxas de juro quase três vezes mais barato que aquilo que os bancos cobram. Criado em 2020, o Aviso que impõe juros máximos de 7,5% por ano nos financiamentos para investimento e de 10% ao ano a financiamentos para aquisição de matéria-prima, insumos e factoring, assume--se como principal instrumento de financiamento à produção nacional. Os bancos estão obrigados a conceder crédito ou ficam sujeitos a multas e, por isso, o stock de crédito às sociedades não financeiras (conjunto de empresas e entidades da economia cuja actividade principal é a produção de bens e serviços não financeiros) quase que duplicou, ao pas sar de 3,1 biliões Kz para quase 5,5 biliões Kz no final de 2025. Contas feitas, os 70% que o FMI diz que vale este crédito equivale a cerca de 3,8 biliões Kz (cerca de 4.200 milhões USD). Apesar do crescimento verificado nos últimos anos, a verdade é que os bancos continuam a aplicar mais os seus recursos em dívida soberana do que no crédito, já que persistem problemas sistémicos como a legalização da posse de propriedades e morosidade judicial. E na memória está ainda muito presente outro programa bonificado, o Angola Investe, que apesar de inicialmente ter sido considerado uma boa medida para financiar a economia, acabou por se traduzir num pesadelo para a banca, elevando o malparado. Este programa chegou ao fim em 2018, numa altura em que Angola vivia ainda na "ressaca" daquela que foi a segunda grande crise petrolífera do século XXI (iniciada em 2014), com uma forte descida dos preços aliada ao início do declínio da produção no País, que se tradu...

Gostou deste artigo?

Partilhe com os seus amigos ou explore mais funcionalidades do Falanga.

Descarregar App Falanga