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Angola reforça compromisso com execução do Corredor do Lobito em reunião ministerial na Zâmbia

Angola reforça compromisso com execução do Corredor do Lobito em reunião ministerial na Zâmbia

Angola participou, nos dias 5 e 6 de Outubro, em Lusaca, Zâmbia, na Segunda Reunião de Coordenação do Corredor do Lobito, denominada “Engine Room”, um mecanismo criado para reforçar a coordenação entre Angola, República Democrática do Congo (RDC), Zâmbia e parceiros de desenvolvimento na implementação desta infra-estrutura estratégica para a integração económica regional. A delegação angolana foi chefiada pelo ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, que participou no encontro em representação do Presidente da República, João Lourenço. A reunião, organizada pelo Banco Mundial em parceria com o Governo da Zâmbia, juntou representantes dos três países, instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e sector privado, com o objectivo de transformar compromissos políticos em acções concretas ao longo do corredor. Na reunião, Angola reafirmou o compromisso de manter o Corredor do Lobito como uma plataforma atlântica fiável e aberta a todo o tipo de carga, e não apenas ao transporte de minérios. Para Luanda, a infra-estrutura deve evoluir de uma simples rota de transporte para um corredor de desenvolvimento económico, capaz de estimular o comércio, a produção, o investimento e a integração regional. Ricardo Viegas D’Abreu defendeu igualmente uma maior disciplina na execução das decisões tomadas pelos três países. Segundo o ministro, as prioridades definidas para os próximos 24 meses devem estar associadas a responsáveis concretos, prazos e mecanismos de acompanhamento, de forma a assegurar que os compromissos assumidos se traduzam em resultados. Entre as prioridades apresentadas por Angola está a melhoria da circulação de mercadorias nas fronteiras. O Governo angolano comprometeu-se a trabalhar com a RDC para que a fronteira entre Luau, em Angola, e Dilolo, na RDC, funcione como uma “one stop border”, ou seja, uma fronteira de paragem única, reduzindo os tempos de espera e facilitando o trânsito de pessoas e mercadorias. Angola pretende ainda tornar interoperável a Janela Única do Comércio Externo com os sistemas dos países vizinhos, concluir o Plano Director do corredor e colocar no mercado uma carteira de projectos devidamente estruturados e com condições para obter financiamento. O ministro dos Transportes sublinhou que o Corredor do Lobito já começa a gerar actividade económica para além do transporte de minerais. Como exemplo, referiu a entrada em funcionamento da primeira fase da Plataforma Logística da Caála, na província do Huambo, equipada com 15 unidades frigoríficas e capacidade para conservar 100 toneladas de produtos agrícolas, além de áreas destinadas à recepção e selecção de frutas e hortícolas. A plataforma dispõe igualmente de um sistema de energia solar com baterias, permitindo maior autonomia energética. Para o Governo angolano, o projecto representa um exemplo da estratégia de utilização do corredor para apoiar a produção nacional, a logística e a criação de cadeias de valor. Ligação ao Atlântico O Corredor do Lobito liga o interior da África Central ao Oceano Atlântico através do Porto do Lobito, em Angola, tendo como principais eixos a ligação ferroviária entre o litoral angolano e a RDC e, no futuro, a extensão em direcção à Zâmbia. No território angolano encontram-se cerca de 1.300 quilómetros do Caminho-de-Ferro de Benguela, que estabelece uma ligação directa entre o Porto do Lobito e o interior do continente. O corredor é considerado uma das principais plataformas para facilitar o escoamento de minerais e de outras mercadorias provenientes da região mineira da RDC e da Zâmbia para os mercados internacionais. A componente zambiana esteve igualmente no centro das discussões de Lusaca. O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, que abriu oficialmente a reunião, defendeu que a ligação entre Luacano, em Angola, e Chingola, no Copperbelt zambiano, deve receber atenção particular, incluindo os projectos ferroviário e rodoviário previstos para o país. Hichilema considerou o Corredor do Lobito um instrumento importante para a concretização da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), defendendo que a conectividade entre os países deve servir de base ao aumento do comércio intra-africano, do investimento e da criação de emprego. A visão defendida na reunião ultrapassa, assim, a simples construção ou modernização de infra-estruturas de transporte. Angola, RDC e Zâmbia procuram criar um ecossistema económico integrado, envolvendo caminhos-de-ferro, estradas, plataformas logísticas, energia, infra-estruturas digitais, comércio, agricultura, indústria e formação profissional. Da rota de minerais ao corredor económico A RDC defendeu, por seu lado, que a modernização ferroviária deve ser acompanhada por uma cadeia logística integrada, incluindo estradas, plataformas logísticas, energia e infra-estruturas digitais. O objectivo é que o corredor contribua para a industrialização, o desenvolvimento da agricultura, o crescimento das pequenas e médias empresas e a criação de empregos. A Zâmbia apresentou igualmente o corredor como instrumento para diversificar a economia, aumentar a produtividade e facilitar o acesso aos mercados internacionais. O ministro das Finanças e Planeamento Nacional, Situmbeko Musokotwane, afirmou que o país pretende utilizar a infra-estrutura para reforçar as exportações, atrair investimento directo estrangeiro e aumentar a participação das empresas zambianas nas actividades económicas geradas pelo corredor. O Banco Mundial, que apoia o mecanismo de coordenação, tem defendido a mobilização de capital privado para projectos ao longo do corredor, através de financiamento, garantias e assistência técnica. Entre os mecanismos de apoio está uma garantia da Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) para investimentos na Lobito Atlantic Railway. A reunião de Lusaca procurou, deste modo, consolidar uma nova fase de implementação do Corredor do Lobito, com maior articulação entre os três países e os parceiros internacionais. Para Angola, o desafio passa agora por assegurar que as infra-estruturas existentes e os novos investimentos sejam acompanhados por mecanismos eficientes de facilitação do comércio, logística e circulação transfronteiriça. A participação angolana no “Engine Room” reafirma, assim, a intenção de Luanda de colocar o Corredor do Lobito no centro da estratégia de integração económica regional, utilizando a ligação ao Atlântico não apenas para o escoamento de recursos minerais, mas também para promover o comércio, a produção nacional, o investimento e o desenvolvimento económico ao longo dos territórios atravessados pela infra-estrutura.

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